Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Costa confirma que citou 'algumas dezenas' de políticos em delação

Ex-diretor da Petrobrás confirma tudo o que falou na delação premiada, mas ressalvou: são declarações 'que não posso abrir'

Ricardo Brito e Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

02 de dezembro de 2014 | 18h16

Brasília - O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa afirmou, durante acareação na CPI mista da estatal realizada na tarde desta terça-feira, 2, que citou “algumas dezenas” de políticos na delação premiada que fez à Justiça Federal. A declaração ocorreu em resposta ao questionamento feito pelo deputado Ênio Bacci (PDT-RS), autor do requerimento de acareação entre Costa e o ex-diretor de Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Logo após a fala de Costa e dos protestos da oposição, o presidente em exercício da CPI, senador Gim Argello (PTB-DF), encerrou a reunião.

Em tom de brincadeira, Ênio Bacci disse que estava se despedindo do Congresso - por não ter sido reeleito -, mas pediu a Costa um “presente” pelo encerramento do mandato dele para lhe dar alegria. “O senhor não pode me deixar numa situação constrangedora, mas algumas dezenas”, respondeu.

Os oposicionistas comemoraram o resultado da acareação, uma vez que, desde a abertura da CPI, em maio deste ano, nunca tinha ocorrido declarações tão contundentes como a de Paulo Roberto Costa. Ele disse que confirmava “tudo” o que foi relatado em delação premiada.

Segundo o ex-diretor, o que ele falou na delação são fatos que acontecem não somente na Petrobrás, mas no Brasil inteiro, "nas rodovias, portos, ferrovias, aeroportos". Costa falou tudo isso depois de o advogado de defesa dele ter sinalizado, desde a semana passada, que o ex-diretor iria ficar calado na acareação com o ex-diretor da área internacional, Nestor Cerveró. "Assumi esse cargo por indicação política e assinei a minha demissão em 2012 porque não aguentava mais a pressão para resolver problemas que não eram da minha área", desabafou Costa.

O ex-diretor de Abastecimento disse que confirma tudo o que falou na delação premiada, mas fez uma ressalva: são declarações "que não posso abrir aqui", justificou. "Não tem nada na delação que eu não confirme. É um instrumento extremamente sério. Não pode ser usado de artifício", explicou. Segundo Costa, foram 80 depoimentos, mais de duas semanas na delação. "O que está lá, eu confirmo. Provas? Estão existindo, estão sendo colocadas. Falei de fatos, dados e das pessoas. Tudo o que eu falei eu confirmo", declarou.

A sessão foi suspensa por 15 minutos por determinação de Argello. A oposição protestou por considerar como atípico a suspensão dos trabalhos em razão da abertura da chamada ordem do dia - a sessão dos plenários da Câmara e do Senado reservada para votações de projetos de lei.

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) afirmou que a CPI estava cometendo um “crime” ao encerrar de maneira abrupta a acareação. “Vamos ser privados de continuar trabalhando”, criticou o parlamentar do DEM. O deputado Julio Delgado (PSB-DF) disse que encontraram uma fórmula para, numa rara oportunidade de a CPI produzir, encerrar as apurações. “Essa foi uma sessão histórica da CPMI, que já está há seis meses em funcionamento e hoje começou a surtir algum efeito”, disse o deputado socialista.

Os dois sugeriram a suspensão da acareação por um prazo maior, até às 19 horas, quando, segundo eles, deve encerrar a sessão do Congresso que vai analisar o projeto que trata da alteração da meta fiscal do governo de 2014. Gim, contudo, disse ter consultado a sessão administrativa do Congresso, na companhia de integrantes da oposição, e encerrou os trabalhos mesmo assim. “Está encerado a reunião, tendo em vista que não há amparo legal para continuar a reunião”, afirmou.

 

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