Mastrangelo Reino/Estadão
Mastrangelo Reino/Estadão

Corte Europeia nega recurso e mantém extradição de Pizzolato

Era o último recurso do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, que retorna ao Brasil nesta quarta-feira, 7, acompanhado de agentes da Polícia Federal em um voo comercial

Janaína Cesar, especial para O Estado, O Estado de S. Paulo

06 de outubro de 2015 | 15h29

A Corte Europeia de Direitos Humanos, na França, negou o recurso apresentado pela defesa de Henrique Pizzolato para que a extradição do condenado no processo do mensalão fosse suspensa. Este era o último recurso de Pizzolato. A informação foi dada por seu advogado Alessandro Sivelli. O ex-diretor de marketing do bando do Brasil será devolvido ao Brasil nesta quarta-feira, 7. Ele parte de Milão, em voo comercial da Tam.

Três agentes da Polícia Federal, acompanhados de uma enfermeira, chegaram em Milão na segunda para organizar toda a parte burocrática da entrega. Sivelli enviou uma carta a jornalistas onde cita as condições das prisões brasileiras, lembrando que a Corte de Apelação de Bolonha havia negado a extradição justamente por causa "das notícias provenientes de órgãos internacionais que indicavam como dramática e endêmica a situação carcerária brasileira".

O advogado ainda lembra que o próprio ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse "preferir morrer, ao ser preso num cárcere brasileiro". Sivelli também retoma o argumento usado por Pizzolato, de que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal em única instância e que não teria tido direito a ampla defesa. 

Sivelli aponta o dedo ao ministro da Justiça italiano, Andrea Orlando. "Apesar de (o ministro) ser consciente sobre as condições das prisões brasileiras, ele concedeu a extradição, desse modo também impedindo que Henrique Pizzolato tivesse direito a defesa no processo penal que o vê imputado na Itália e cuja audiência estava marcada para o dia 14 de dezembro". Ele cita também que o Ministério da Justiça italiano em 2001 negou o pedido de extradição ao Brasil de um cidadão que havia cometido os mesmos crimes pelos quais foi condenado Pizzolato por falta reciprocidade. 

O advogado termina a carta perguntando "qual será a verdadeira razão para que o governo italiano pise nos direitos de Henrique Pizzolato, cidadão italiano que esperava de obter na Itália justiça que no Brasil lhe fora negada".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.