Corte de gasto cria apreensão entre diplomatas

Os cortes nos gastos públicos promovidos pelo governo federal estão deixando apreensivos os diplomatas brasileiros baseados nas principais cidades do mundo. Desde janeiro, a maioria dos diplomatas não recebe o auxílio-moradia, que pode variar de 50% até 100% do valor do aluguel das residências. Alguns, diante do risco de despejo, tiveram que recorrer a empréstimos bancários de emergência para honrar os contratos de locação.Seguindo as orientações de Brasília, muitas embaixadas suspenderam os pagamentos de horas extras. Houve cortes com gastos gerais, como telefonemas, combustível, água e luz. Reembolsos de despesas com viagens também estão atrasando.?Não é a primeira vez que isso acontece, mas se essa situação não for solucionada em breve, daqui a pouco o trabalho das embaixadas poderá ser comprometido?, disse à Agência Estado um diplomata. ?Não causará surpresa se alguns colegas começarem simplesmente a retornar ao Brasil para evitar um vexame maior.?Alguns diplomatas afirmam que situação chegou a esse ponto apenas por que os embaixadores não são afetados pelo atraso no auxílio-moradia, já que moram em casas do governo. Quando a residência não é de propriedade do Brasil, o aluguel é pago 100% pelos cofres públicos. ?A situação está chegando num ponto que já tem gente temendo que não condições nem mesmo de pagar a multa pela rescisão do contrato de aluguel, que pode equivaler a dois ou três meses de aluguel?, disse um diplomata baseado em Londres.Em Bruxelas, por enquanto os diplomatas estão cumprindo com os compromissos financeiros usando os próprios recursos. ?Mas essa situação não pode durar muito pois os locadores não querem saber se o governo brasileiro tem dinheiro ou não?, disse um diplomata.Na missão brasileira na Organização Mundial de Comércio (OMC), em Genebra, os funcionários estão há três meses sem receber o pagamento do auxílio- moradia, mas até agora ninguém foi obrigado a mudar de casa. ?Nos governos Sarney e Collor a coisa ficou feia também?, disse um diplomata. ?Mas espero que, como aconteceu naquelas ocasiões, o pessoal em Brasília se dê conta que nosso fôlego financeiro aqui fora não é muito grande não.?Os cortes no orçamento do Itamaraty ainda não afetaram a embaixada brasileira em Buenos Aires, segundo afirmou uma fonte diplomática. "Por enquanto, não temos deixado de pagar nenhuma conta aqui em Buenos Aires. Estamos com um orçamento reduzido mas razoável", disse.

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