''''Cortamos o ponto e vamos cortar salário''''

A greve do Incra, que dura mais de dois meses, é a quarta que ocorre no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na opinião do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, a quem está subordinado o Incra, a paralisação é "um direito sagrado, mas ela não pode ser vulgarizada, não pode virar um evento anual".Como o senhor vê o fato de terem ocorrido quatro greves no Incra neste governo?Isso não é correto. O Incra está entre os órgãos que mais receberam vantagens no governo Lula. Os funcionários não tinham plano de carreira e passaram a ter. O Incra também ganhou 4.500 novos funcionários, dos quais 1.800 já foram nomeados. Também ocorreram reajustes salariais, que variaram de 60% a 160%.Mas os funcionários reclamam que os salários ainda são baixos.É verdade que o padrão ainda é inferior ao de outros órgãos, como o Ibama. Mas isso não justifica a greve. Eu considero a greve um direito sagrado, mas ela não pode ser vulgarizada, não pode virar um evento anual.Existia a possibilidade de suspensão da ordem de corte de ponto dos grevistas enquanto durassem as negociações com o governo. Mas depois houve uma determinação enfática para que o corte fosse mantido.Seguimos a determinação do presidente para não pagar os dias parados. Não é razoável que uma instituição como o Incra, que toca um dos programas prioritários do governo, fique dois meses em greve e não aconteça nada. Isso não é razoável para nenhuma empresa, nenhuma organização. Estamos cortando o ponto e vamos cortar salário. Todas as dez superintendências regionais que fecharam as portas terão o ponto e os salários cortados.Como estão as negociações?Elas são conduzidas pelo Ministério do Planejamento, com o nosso apoio. Estamos dispostos a negociar e não existe nenhum ponto da pauta de reivindicações que, a priori, não seja aceito. Mas eu já manifestei publicamente a opinião, assim como o presidente da República, que tudo tem limite.

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