Corrupção põe Brasil em 101º lugar em liberdade econômica

País é considerado "relativamente não-livre". O Hong Kong é a economia mais livre do mundo

Marianna Aragão, de O Estado de S. Paulo,

15 Janeiro 2008 | 14h31

Apesar de ser uma potência econômica regional, o Brasil ainda não obteve o status de economia livre, segundo estudo divulgado nesta terça-feira, 15, pela Fundação Heritage, instituto de pesquisas e análises norte-americano. Em parceria com o jornal "The Wall Street Journal", a entidade divulgou um ranking de liberdade econômica realizado entre 162 países. O Brasil aparece na 101ª posição e é considerado "relativamente não-livre". O Hong Kong é a economia mais livre do mundo, de acordo com o instituto.   A classificação no ranking depende de dez critérios, como corrupção, carga tributária, leis trabalhistas e interferência do governo na economia, entre outros. Com base neles, os pesquisadores calculam um índice de liberdade de cada economia. Segundo o Heritage, a economia brasileira é 55,9% livre. A pior colocação do País foi no item corrupção, em que obteve 33 pontos. A melhor foi em liberdade monetária, com 75 pontos.   Um dos pontos destacados no relatório que acompanha o ranking foi a corrupção na realização de contratos por licitação. Para o analista da Fundação Heritage Anthony Kim, ser classificada como "relativamente não-livre" torna o País menos competitivo.   "O Brasil perde oportunidades com a falta de liberdade na economia. Ela sustenta a prosperidade, na medida em que promove o empreendedorismo e a inovação", afirmou Kim. Segundo ele, uma economia livre faz com seja mais fácil para a população trabalhar, economizar e consumir.   Segundo o relatório do instituto, o Brasil não é forte em nenhuma das dez liberdades analisadas. A carga de tributos pagos pelas pessoas físicas e jurídicas é muito pesada, comparada a de outros países em desenvolvimento. "Existem restrições ao capital estrangeiro em diversas áreas e o governo permanece fortemente envolvido nos setores bancário e financeiro", aponta o instituto.   Outros problemas incluem a administração do governo sobre a diversos setores, principalmente o de energia, sistema judiciário ineficaz, educação pública fraca e excesso de regulação.

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