Corrupção no País é tão elevada quanto há um ano, diz ONG

A corrupção no Brasil permanece elevada e não apresentou mudanças relevantes ao longo do último ano, segundo um levantamento divulgado nesta quarta-feira pela organização não-governamental Transparência Internacional (TI). O "Índice de Percepção da Corrupção 2004" elaborado pela entidade mostra que o Brasil obteve neste ano a mesma pontuação de 2003: 3,9. A nota pode variar de 0 (países vistos como mais corruptos) até 10 (menos corruptos). Apesar de obter a mesma a pontuação, o Brasil caiu do 54o para o 59o lugar no ranking da corrupção, que neste ano cobriu um total de 146 países. Em 2003, foram avaliados 133 países.O levantamento anual elaborado pela TI é uma das principais referências internacionais para se auferir a corrupção no mundo e é freqüentemente empregado por analistas de risco de bancos e consultorias nas suas avaliações sobre os países emergentes.A TI considera o combate à corrupção como um dos instrumentos mais eficientes para se diminuir a miséria no mundo, que é uma das principais bandeiras da política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em setembro de 2002, antes do primeiro turno das eleições presidenciais, o então candidato Lula assinou um compromisso anticorrupção com a Transparência Internacional. Mas até o momento, segundo a entidade, o governo não cumpriu com a maior parte de suas promessas.MundoNa América Latina, o Chile é o país visto com menor grau de corrupção, ocupando o 20o lugar no ranking. Uruguai, El Salvador e Suriname também estão entre os países da região melhor colocados do que o Brasil. Mas o México (64o) e a Argentina (108o) são avaliados com países com maior corrupção. O estudo mostra também que na África, países como Botswana (31o), Tunísia (39o), África do Sul (44o) são considerados menos corruptos que o Brasil . Segundo o estudo, a Finlândia é o país menos corrupto do mundo. Em contrapartida, o "Índice de Percepção da Corrupção 2004" mostra que Bangladesh e o Haiti são os mais corruptos entre os 146 países avaliados.A TI observou que muitos países produtores de petróleo, como a Rússia, Venezuela e Nigéria, obtiveram pontuações muito baixas no índice de corrupção. "Nestes países, as contratações públicas no setor de petróleo movem quantidades de fundos que acabam nos bolsos de executivos de petróleo ocidentais, intermediários e funcionários locais", explicou o presidente da ONG, Peter Eigen.Para elaborar o índice, a TI se baseia numa série de estudos que medem o quanto os moradores e estrangeiros consideram um determinado país corrupto. No caso do Brasil, foram usados onze estudos.

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