Corrupção não se combate sendo apenas honesto e bonzinho, diz ong

Para combater a corrupção no Brasil "não adianta apenas ser honesto e bonzinho; é necessário um trabalho específico, longo e controlado". O alerta foi dado hoje ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo presidente da organização não-governamental (ong) Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo, durante divulgação da pesquisa Fraude e Corrupção no Brasil, feita pela ong em conjunto com a Kroll, a maior empresa mundial de consultoria de riscos.Segundo ele, "a esquerda brasileira sempre comete o erro de achar que a corrupção vai ser resolvida só com a eleição de uma pessoa honesta". "A corrupção se perpetua em estruturas sedimentadas", disseAbramo citou, como exemplo, a Prefeitura de São Paulo, com a qual a ong desenvolve um trabalho de identificação das chamadas "zonas de risco" - setores da administração pública mais vulneráveis à corrupção. "São 250 mil funcionários, entre os quais existem máfias históricas. Se o combate à corrupção não for diário e profundo, estas máfias se reorganizam em seguida ao momento em que forem desfeitas", disse.Os dados da pesquisa, antecipados na quarta-feira com exclusividade pela Agência Estado e divulgados oficialmente hoje, segundo Abramo, confirmam o princípio de que "a corrupção só pode ser atacada depois que se compreenda o conjunto de circunstâncias que a propiciam". Este princípio faz parte do documento "Compromisso Anticorupção", idealizado pela Transparência Brasil, e assinado por Lula e pelo seu adversário no segundo turno das eleições, José Serra (PSDB). A pesquisa propõe oito medidas de combate à corrupção. São elas: a criação de uma agência anticorrupção, a criação das convenções internacionais, combate científico à corrupção, controle das licitações públicas, combate ao nepotismo e empreguismo, criação de ouvidorias, resolução de conflitos de interesses e a manutenção e aperfeiçoamento da Controladoria Geral da União.Na avaliação de Abramo, apesar de avanços importantes realizados no governo federal nos últimos anos, o Brasil ainda carece de um sistema básico de informações de combate à corrupção. "Não existe, por exemplo, nem no Ministério Público Federal nem no Estadual um banco de dados sobre os principais crimes cometidos por prefeitos. Não é possível saber quantos processos, que prescreveram antes de serem julgados, um hábito de impunidade muito comum no Brasil", disse.

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