CLAYTON DE SOUZA/ESTADÃO
CLAYTON DE SOUZA/ESTADÃO

Corrupção não está no poder Legislativo, está no poder Executivo, diz Cunha

Investigado na operação Lava Jato, presidente da Câmara afirma que 'falta de governança' do governo permitiu que corrupção avançasse

JOSÉ ROBERTO CASTRO E RICARDO CHAPOLA, O Estado de S. Paulo

16 de março de 2015 | 14h17

Atualizado às 22h05

São Paulo - Investigado pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da Operação Lava Jato, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse nesta seguunda-feira, 16, que a corrupção não ocorre no Poder Legislativo, e sim no Executivo. O peemedebista afirmou ainda que o problema é gerado não por “conivência” do governo, mas pela “falta de governança”. 

“A corrupção não está no Poder Legislativo. Está no Poder Executivo. Se eventualmente alguém do Legislativo se aproveitou da situação para suporte político em troca de benefícios indevidos, é porque esses benefícios existiram pela falta de governança do Executivo, que permitiu que a corrupção avançasse”, disse Cunha, depois de participar de uma reunião com empresários na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na Avenida Paulista, palco dos protestos de domingo.
Cunha fez as declarações ao ser questionado sobre as manifestações de anteontem que cobravam punição aos envolvidos em desvios na Petrobrás e que também tinham defensores do impeachment da presidente Dilma Rousseff. O peemedebista é investigado pelo STF por envolvimento no esquema de desvio de recursos públicos na estatal. Ele é suspeito de praticar os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. 

Impeachment. Também durante a coletiva, Cunha afirmou que vai arquivar os pedidos de impeachment de Dilma propostos por deputados como Jair Bolsonaro (PP-RJ), que enviou um pedido à Câmara na sexta-feira. O peemedebista, que é o terceiro na linha sucessória da Presidência, afirmou entender que o impeachment da petista “não é a solução”. 

Sobre os protestos de domingo, nos quais uma parte dos manifestantes pedia a intervenção militar, Cunha disse que é preciso debater as pautas que foram levadas às ruas desde que não “cheirem ou beirem o ilegal e o inconstitucional”. 

“Entendemos que temos um governo que foi legitimamente eleito e que, se aqueles que votaram neste governo se arrependeram de terem votado, isso faz parte do processo político. E não é dessa forma que vai resolver”, disse Cunha. “Temos que debater, sim, o que aconteceu nas ruas, temos que buscar formas que ajudem o governo a se encontrar com aquilo que a sociedade deseja ver. Mas não a partir de situações que cheiram e beiram o ilegal e o inconstitucional”. 

Ainda na esteira das manifestações anti-Dilma ocorridas no domingo, Cunha classificou como “desastrosa” a reação do governo logo depois dos atos. Escalados como porta-vozes de Dilma, os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Miguel Rossetto (Secretaria-geral da Presidência) foram a público anteontem para, em nome da presidente, manifestar a avaliação dos protestos. 

“Eu achei a participação dos ministros um desastre. Achei que os dois falaram coisas diferentes. Quem fala em diálogo e já sectariza quem está nas ruas não está querendo dialogar”, criticou o presidente da Câmara. 

Cunha avaliou ainda que os manifestantes que foram às ruas não querem reforma política, mas uma reforma de governo.
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