'Corrupção não é insuperável', diz juiz da Operação Lava Jato

'Corrupção não é insuperável', diz juiz da Operação Lava Jato

Sério Moro recebe prêmio de 'Personalidade do Ano' de jornal e comemora manifestações plurais do último domingo pelo Brasil

Antonio Pita, O Estado de S. Paulo

19 de março de 2015 | 00h55

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, afirmou nesta quarta-feira durante a entrega do prêmio de "Personalidade do Ano", do jornal O Globo, que o combate a corrupção é o "único objetivo comum" em uma democracia plural, em referência aos protestos realizados no País no último fim de semana.  O magistrado disse acreditar que a corrupção não é insuperável e que é possível vencê-la com "apoio das instituições democráticas".

"Por mais plural que seja a democracia, existe um consenso. Todos são contra a corrupção e todos concordam, seja aqueles à esquerda, seja à direita, que a corrupção, quando identificada e provada, deve ser punida. Brasil já enfrentou desafios muito maiores. A corrupção é mais um. Não vejo nenhum problema como insuperável. Com apoio das instituições democráticas, conseguiremos acabar com ela", discursou o magistrado.

No discurso, o juiz se disse "tocado" com as manifestações do último fim de semana. "É bonito numa democracia ver o povo na rua. Mesmo com grupos tão plurais, o único objetivo comum é acabar com a corrupção".

Moro também se disse "constrangido" por receber o prêmio por um processo ainda em curso, e evitou comentar o andamento das investigações. Disse que, como juiz, "não pode fazer promessas de julgar de determinada maneira". Segundo ele, seu compromisso é julgar "no império da Lei e aplicar a sentença da maneira igual". "O que posso dizer é que vamos adiante com esta ação", completou.

O magistrado foi aplaudido de pé ao receber o prêmio de 'Personalidade do Ano', entregue pelo presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho. O homenageado ressaltou que a operação "não é trabalho de um homem só" e elogiou o trabalho da imprensa, na cobertura da Operação Lava Jato, e das instituições que atuaram nas investigações, como a Polícia Federal, o Ministério Público Federal. Ele ainda destacou a atuação do ministro Teori Zavasck, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pelo julgamento dos envolvidos que tem prerrogativa de foro privilegiado.

"Esse é um trabalho que não é só meu, é coletivo. Nossa única preocupação é chegar ao final deste trabalho garantindo o devido processo legal, sem atropelamento. Mas, claro, esse prêmio é um reconhecimento pela qualidade do trabalho", afirmou.

O juiz, que integra a 13ª Vara Federal de Curitiba, onde tramita as principais ações decorrentes da Operação Lava Jato, disse não se sentir "confortável" para comentar um processo ainda em andamento. Segundo Moro, não é possível prever "o que vai se descobrir e o que não vai ser". "Não sei exatamente o que está por vir. É um caso em andamento, não tem como prever o futuro, o que pode acontecer, ou o que vai se descobrir e o que não vai", afirmou, ao chegar à solenidade de entrega da premiação, no Copacabana Palace, na Zona Sul do Rio.

Esta é a décima segunda edição do prêmio. No último ano, o vencedor da categoria de "Personalidade do Ano" da premiação foi o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. Para a definição do vencedor, um juri especial foi composto pelos jornalistas Ancelmo Gois, Miriam Leitão Merval Pereira, Ascânio Seleme e Aluizio Maranhão, além do presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Eugênio Gouveia Vieira.

A 12ª edição do prêmio também reconhece a atuação de "brasileiros que fizeram a história" em diversas áreas. Também serão premiados nesta noite o jornalista Nelson Motta, a atriz Nathalia Timberg, pela contribuição ao Teatro, o surfista Gabriel Medina, entre outros.

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