?Corrupção não acaba por decreto presidencial, diz Pires

O controlador-geral da União, Waldir Pires, disse hoje que não se acaba com a corrupção no Brasil por um "decreto presidencial". Por isso, o objetivo do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, segundo ele, é não ser complacente com a corrupção, não poupando correligionários nem amigos. Ele avalia que um bom exemplo de intolerância com quaisquer atitudes ilícitas é a demissão de Luiz Cláudio Gomes da Silva, amigo e ex-assessor do ministro da Saúde, Humberto Costa, por causa da ligação com esquema de desvio de dinheiro público da Saúde. Outro exemplo, segundo ele, é a decisão da Controladoria-geral da União de abrir uma auditoria para investigar o empresário Mauro Farias Dutra, amigo de Lula dirigente da Associação para Projetos de Combate à Fome (Ágora). Dutra será alvo de uma ação judicial por causa do suposto esquema de uso de notas fiscais frias de empresas fantasmas para justificar o uso de recursos do programa Primeiro Emprego. "Um amigo do ministro da Saúde estava na lista das demissões e o Waldomiro Diniz (ex-chefe de gabinete do ministro-chefe da Casa Silva, José Dirceu), também foi exonerado. O combate à corrupção é incessante. A primeira coisa que a gente tem de desmontar é a visão do rouba mas faz. Não há uma blindagem", afirmou. Para ele, a denúncia envolvendo um amigo de Lula não "constrange" o presidente. Ele afirmou que nos governos passados foi desmontado o sistema de controle dos gastos e que, agora, o objetivo será remontá-lo. Segundo Pires, a controladoria está contratando novos analistas de finanças por meio de concurso para viabilizar um sistema de fiscalização eficaz. "O Brasil se acostumou a gastar sem uma fiscalização eficaz." Waldir Pires não vê razão para o ex-ministro da Saúde José Serra suspeitar do uso político das investigações relativas aos desvios de recursos públicos da Saúde. Serra estranhou o fato de a operação da Polícia Federal ter estourado na semana em que lançou sua candidatura à Prefeitura de São Paulo. Na semana passada, Humberto Costa determinou a investigação da compra de 739 aparelhos de hemodiálise feita na gestão de Serra no ministério. "O pedido de investigação é de 2003 e agora estamos vendo o resultado do trabalho", afirmou.

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