Corrupção desviou R$ 7 bilhões em um ano

Investigações da Polícia Federal indicam que pelo menos R$ 7,1 bilhões foram desviados dos cofres públicos, no último ano, por verdadeiras quadrilhas. A contabilidade, assustadora e inédita, é o resultado de uma apuração realizada em dez Estados brasileiros. Só em fraudes financeiras, a União teria perdido em torno de R$ 4 bilhões. Outros R$ 2 bilhões seriam rombos no Departamento Nacional de Estradas e Rodagens (DNER) e na extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).A quantia desviada, equivale à metade do orçamento da educação para 2001 e oito vezes o investimento que o governo pretende fazer na área de energia elétrica. A previsão é de que os valores sejam bem maiores que as estimativas, já que as 23 operações ? nem todas apontaram desvios ? não se encerraram.Até agora, o trabalho da PF já identificou 570 suspeitos. As investigações são comandadas pela Divisão de Repressão ao Crime Organizado e de Inquéritos Especiais, divisão especializada em fraudes.SocialO mais grave é que grande parte das verbas era destinada a programas sociais e investimentos. Nem a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) escapa das quadrilhas, segundo a PF. Só em Vitória, teria ocorrido uma movimentação irregular de R$ 387 milhões.Quem imagina que o rombo dos cofres federais acontece em Brasília engana-se. Os desfalques espalham-se por vários Estados, mas não há nenhum caso concreto no Distrito Federal em apuração. Quase todas as regiões estão visadas, mas a concentração é maior no Norte e Nordeste ?A atuação é variada. No Norte, são fraudes em que não há demonstração exterior de riqueza dos envolvidos, ao contrário do Nordeste, onde o investimento em imóveis comprova as fraudes?, diz um delegado.Dinheiro sujoSegundo a PF, pelo menos R$ 41 bilhões são ?dinheiro sujo? que circula pelo País, dos quais R$ 7,1 bilhões subtraídos de órgãos federais, que são os responsáveis pela garantia da aplicação do dinheiro do contribuinte.As grandes dores de cabeça do governo federal, porém, ainda são a Sudam e o DNER. As estimativas iniciais dão conta de que foram desviados pelo menos R$ 2 bilhões dos recursos do Fundo de Investimento da Amazônia (Finam). O caso, que ganhou notoriedade após as denúncias contra o presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), resultou em 300 inquéritos, mas poucas pessoas foram indiciadas.As investigações na Sudam ? identificadas como Merlin, em alusão ao mago da lenda do rei Arthur ? estão espalhadas por Palmas, Cuiabá, São Luís, Manaus e Belém. Somente no Maranhão, foram abertos 37 inquéritos a partir de um projeto ? o Usimar Equipamentos Automotivos, que custou à União R$ 44 milhões e não foi concluído.Bingo Na contabilidade das fraudes não estão incluídos crimes relacionados a bingos, que sonegam milhares de reais, segundo a PF. No Rio de Janeiro, Petrobrás estaria sendo lesada em pelo menos R$ 500 milhões pela chamada máfia do óleo, que desvia produtos e vende no câmbio negro.No DNER, não é diferente. Só no Tocantins, a Polícia Federal investiga uma fraude na construção de estradas que chegaria a R$ 500 milhões. Identificada como Diamante, a operação para tentar recuperar os recursos, está apenas começando e pode envolver autoridades.

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