Corrupção de Saddam pode ter beneficiado brasileiros

A Polícia Federal e o Ministério Público investigam quatro indústrias brasileiras, um grupo político ligado ao PMDB paulista, o MR-8, dois empresários e um diplomata por envolvimento num esquema de corrupção apurado internacionalmente pela ONU e que tinha sua origem na ditadura de Saddam Hussein. As informações estão na edição deste domingo do jornal O Globo.Segundo a denúncia encaminhada pela Transparência Internacional, a partir do inquérito realizado por uma comissão das Nações Unidas, quatro empresas do Brasil participaram de um esquema de suborno para vender máquinas agrícolas, veículos, pneus, motores e material elétrico ao Iraque. A investigação da ONU apurou o desvio de dinheiro do programa petróleo por comida, que permitia que o Iraque exportasse petróleo, desde que o dinheiro apurado fosse usado para suprir as necessidades básicas do povo iraquiano. O programa foi imposto à ditadura de Saddam Hussein depois da guerra de 1991, para evitar que Saddam usasse a riqueza petrolífera do país para se armar. No final, o programa deu margem a um grande esquema de corrupção internacional, a partir do qual o governo iraquiano recebia dinheiro "por fora" em troca de autorizar empresas a comercializar o petróleo produzido no país e da concessão de contratos de venda para o material que o país estava autorizado a comprar.Além das quatro empresas brasileiras, também estaria envolvido no caso MR-8, uma facção do PMDB de São Paulo. A ditadura de Saddam teria concedido ao grupo comissões sobre a venda de 6,5 milhões de barris de petróleo desviado do programa da ONU.

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