Correspondentes têm dificuldades desde início do governo

Independentemente do episódio Larry Rohter, as relações entre o governo do presidente Luiz Inacio Lula da Silva e os jornalistas estrangeiros que atuam no País já vinham apresentando ruidos praticamente desde o início da gestão petista, com os correspondentes internacionais se queixando bastante das condições de trabalho para a cobertura das atividades da administração federal. De acordo com a Associação dos Correspondentes Estrangeiros de São Paulo (ACE-SP), os problemas ficaram tão complicados que, no dia 19 de abril, ou seja, há pouco menos de um mês, um grupo dez jornalistas da ACE teve um encontro em São Paulo com representantes da Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica (Secom).Segundo relato da ACE, o grupo foi recebido por Ana Maria Carneiro de Matos, assessora para a imprensa internacional do Palácio do Planalto, e por Vera Rotta, da diretoria de Imprensa da Secom. Em pouco mais de uma hora e meia, os jornalistas mostraram aos interlocutores da Presidência as dificuldades na cobertura do governo, a burocracia, considerada exagerada e desnecessária e a importância que o Planalto deveria dar à imprensa estrangeira. Ontem (quinta-feira), em almoço com dez correspondentes estrangeiros, o Secretário de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica, Luiz Gushiken, admitiu falhas do governo no atendimento à imprensa.A associação dos correspondentes relatou, na ocasião, as dificuldades de acesso a fontes no governo, a necessidade de indicar pessoas que possam se identificar ou de fontes especializadas que possam falar no lugar de autoridades. A entidade pediu ainda uma revisão na burocracia para a solicitação de vistos e para o credenciamento no Itamaraty. Sugeriu, por exemplo, a criação de um credenciamento único para os correspondentes na cobertura do presidente Lula e uma lista de funcionários de ministérios autorizados a falar.PlantãoAs dificuldades, ainda segundo a ACE, são tantas, que os correspondentes pediram apoio para que ministros e outras autoridades possam conceder entrevistas periódicas aos jornalistas estrangeiros em atividade no País. Além disso, sugeriram a instalação de um plantão de funcionários preparados para atender a imprensa estrangeira.De acordo com a associação, Ana Maria Matos informou que estava sendo estudada a criação de um credenciamento único para os correspondentes que acompanham os eventos do presidente Lula e esclareceu que essas reivindicações dependiam também da avaliação da segurança do presidente Lula. As funcionárias do governo se comprometeram também a apoiar a ACE para que ministros e outras autoridades concedam entrevistas coletivas aos correspondentes quando estiverem em São Paulo.Sobre uma entrevista com o presidente Lula, Ana Maria informou que ainda não havia uma previsão para isso. Os correspondentes, entretanto, reforçaram o pedido, embora a Presidência tenha informado que o presidente Lula continuará a conceder entrevistas a pequenos grupos, como vem fazendo até agora.Em entrevista à Agência Estado, nesta sexta-feira, Vera Rotta, agora responsável pelo núcleo de atendimento á imprensa estrangeira, disse que o atendimento das reivindicações dos correspondentes está sendo encaminhado na medida do possível e conforme as demandas vão chegando á Secom. FurlanVera informou também que a secretaria está organizando um banco de dados com fontes. "Queremos organizar a entrevista de um ministro com os correspondentes em São paulo pelo pelo menos uma vez por mês". Nesta terça-feira (dia 18), por exemplo, o ministro Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, será o primeiro a conceder a entrevista durante um café da manhã.

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