Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Corrente majoritária do PT se fortalece e tenta ocupar mais cargos

Apesar de hegemônica no partido, Construindo um Novo Brasil perdeu espaço na articulação política de Dilma e já articula reação

Vera Rosa e Ricardo Della Coletta, O Estado de S. Paulo

19 de janeiro de 2015 | 21h47


Brasília - Após perder cargos importantes na "cozinha" do Palácio do Planalto, a corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), majoritária no PT, engordou e pretende usar sua força para ocupar mais cargos no governo Dilma Rousseff.

 A estratégia de ocupação de espaços inclui agora a tendência PT de Lutas e de Massa (PTLM), que foi extinta e se incorporou à CNB, grupo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Apesar de hegemônica no partido, a CNB está rachada nos Estados e, no segundo mandato de Dilma, não comanda mais a Secretaria-Geral da Presidência nem a Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela articulação política do governo com o Congresso. As duas pastas são controladas hoje pela corrente Democracia Socialista (DS), considerada de "esquerda" no espectro ideológico do PT, e adversária da CNB.

Descontente com a perda de influência no governo, a corrente de Lula já articula uma reação. Em reunião realizada nesta segunda-feira, 19, com o presidente do PT, Rui Falcão, deputados e senadores da CNB fizeram uma radiografia dos cargos em bancos públicos e no segundo escalão. Queixaram-se de que não são ouvidos por Dilma e, mais uma vez, reclamaram do ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que, embora seja da CNB, é visto no partido como "independente".

 Apoio. Integrada por Jilmar Tatto, secretário dos Transportes da Prefeitura de São Paulo, a tendência PTLM tem mais presença na capital paulista, principalmente nas zonas Sul e Leste. Antes mesmo de se fundir com a corrente majoritária, a ala de Tatto já dava respaldo à CNB e também à tendência Novo Rumo, de Falcão.

 Em 2013, por exemplo, a PTLM não apenas apoiou como foi decisiva para a eleição de Falcão no primeiro turno. Além do secretário dos Transportes, a facção tem um dos vice-presidentes do partido, Jorge Coelho, vereadores, deputados estaduais e um federal eleito (Nilto Tatto). O grupo também era próximo da senadora Marta Suplicy (SP), hoje crítica do PT, mas acabou se afastando dela.

Alheia às reclamações dos petistas, Dilma só vai renovar o comando dos bancos públicos, como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e compor o segundo escalão após a eleição para a presidência da Câmara e do Senado, marcada para o próximo dia 1.º.

Falcão esteve nesta segunda no Planalto e conversou com Mercadante. A expectativa é que o governo anuncie os novos integrantes da equipe após o carnaval ou mesmo em março. Estão na mira da corrente majoritária do PT as presidências e diretorias da Chesf, Codevasf, Sudene, Telebrás, Embratur e Funasa, além do comando da Caixa, do Banco do Brasil, do Banco do Nordeste e do BNDES.

Até agora, a CNB só está certa de que conseguirá a presidência da Caixa, uma vez que Dilma prometeu encaixar ali a ex-ministra do Planejamento Miriam Belchior.

 A tendência Movimento PT, integrada pelo deputado Arlindo Chinaglia (SP), que disputa a presidência da Câmara contra Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também não para de reclamar do "descaso" do governo. Desde que perdeu a Secretaria dos Direitos Humanos, ocupada por Maria do Rosário até março do ano passado, a corrente nunca mais conseguiu um cargo de prestígio no primeiro escalão.Atualmente, quer controlar ao menos a vice-presidência de Habitação da Caixa e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

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