André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Corrente do PT rejeita voto em candidatos da base de Temer na mesa diretora da Câmara

Ala 'Avante Socialismo 21' discorda do ex-ministro de Dilma, Gilberto Carvalho, que defende acordo com partidos aliados do governo

Ricardo Brito, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2017 | 14h50

Brasília - Em um contraponto à posição do ex-ministro Gilberto Carvalho, uma corrente do PT defendeu que os parlamentares do partido não votem, na eleição para as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado, em candidatos da base aliada do presidente Michel Temer. A ala "Avante Socialismo 21" decidiu na quarta-feira, 18, que não se deve fazer "nenhum voto ou acordo com candidatos da base de sustentação do governo golpista".

No texto da resolução, obtido pelo Broadcast Político, a corrente partidária avalia que é necessário fazer o enfrentamento das reformas neoliberais que estão em curso, organizar a resistência democrática e reforçar o papel do PT enquanto alternativa do governo.

O PT, como segunda maior bancada do Congresso Nacional, tem o direito de participar da composição da Mesa Diretora da Câmara e do Senado. Cabe ao partido exigir politicamente o respeito ao princípio da proporcionalidade. "Este princípio deve nortear as movimentações táticas que possibilitem às nossas bancadas alcançar a representação que lhe é devida", defende o texto.

Essa corrente petista é composta, entre outros, pelos ex-presidentes da Câmara Arlindo Chinaglia (SP) e Marco Maia (RS), pela ex-ministra Maria do Rosário (RS) e pela senadora Fátima Bezerra (RN).

O texto defende que o momento é de resistência e argumenta que a "nitidez programática" e a "firmeza ideológica" são componentes fundamentais e estruturantes do processo de reorganização da esquerda. "Esta é a oportunidade para o PT avançar ao lado da classe trabalhadora, reposicionando-se em um movimento de coerência ideológica, dando um exemplo pedagógico para a luta política em curso no Brasil", destaca.

Em carta a integrantes do PT no Congresso, Gilberto Carvalho, ex-ministro de Dilma e ex-chefe de gabinete de Lula, havia defendido que as bancadas do partido fizessem acordos com partidos da base de Temer a fim de garantir espaços na Mesa Diretora das duas Casas Legislativas. A manifestação de Carvalho vai na linha do que tem defendido o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a interlocutores.

Pela regra, o PT - com uma bancada de 57 deputados, a segunda maior da Câmara - tem direito a integrar a Mesa Diretora. Só a criação de um bloco com vários partidos pode inviabilizar a participação da sigla no comando da Casa. Neste caso, o PT pode embarcar na candidatura de André Figueiredo (PDT-CE), que foi ministro no governo Dilma Rousseff e votou contra o impeachment.

No Senado, por sua vez, o PT - hoje com 10 senadores - é a terceira maior bancada. O atual líder do PMDB e favorito a presidir a Casa a partir de fevereiro, Eunício Oliveira (CE), já ofereceu ao PT a Primeira Secretaria, espécie de prefeitura que vai gerir o bilionário orçamento do Senado. Uma parcela da bancada, contudo, resiste a apoiá-lo.

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