Corrente de Lula no PT, Campo Majoritário vai mudar de nome

Mudança é tentativa de virar a página de crises que envolviam principais dirigentes

Vera Rosa, do Estadão,

10 de agosto de 2007 | 00h22

Em nova tentativa de virar a página das crises protagonizadas por seus principais dirigentes, o antigo Campo Majoritário do PT - corrente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - vai mudar de nome. Depois de tentar emplacar sem sucesso o mote "Construindo um Novo Brasil", título da chapa apresentada pela tendência de Lula para o 3.º Congresso do PT, de 31 deste mês a 2 de setembro, o grupo fará uma pesquisa nacional para definir como será rebatizado. A idéia é promover uma consulta pela internet aos integrantes da corrente, que também abriga o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu e todos os outros dirigentes do PT abatidos pelo escândalo do mensalão, em 2005. Mesmo antes da sondagem, porém, a recaída socialista do partido, que promete ressuscitar o debate sobre o socialismo depois de ver o governo Lula aliar-se à direita, inspira companheiros saudosistas, ávidos por reabilitar a "Articulação" velha de guerra. "Vamos fazer uma aferição para definir o novo nome da corrente depois de ouvir as opiniões dos delegados na nossa plenária", afirmou Francisco Rocha, um dos coordenadores da chapa "Construindo um Novo Brasil". "Se os militantes quiserem que seja Articulação, pode ser, mas eu prefiro uma nova simbologia." O assunto provoca interesse até no Palácio do Planalto. Lula já foi consultado e respondeu que pensará sobre o assunto. "Em Minas, esse nome Campo Majoritário nunca pegou. Sempre foi Articulação", contou o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci. Os históricos do PT, como Dulci, ainda lembram os velhos tempos da "Articulação dos 113", nos anos 80, quando o partido era sustentado pelo tripé formado por sindicalistas, Igreja e intelectuais. Eleições antecipadas Vinte e sete anos depois, com um Roberto Jefferson e muitos aloprados no meio do caminho, o plano da ala considerada "moderada" no mosaico ideológico do petismo é chegar com outra marca na disputa pelo comando do PT, que tende a ser antecipada para dezembro. Tudo indica, no entanto, que o candidato do antigo Campo Majoritário será o mesmo: o deputado Ricardo Berzoini (SP), atual presidente do partido. Mesmo sem fazer o acerto de contas destinado a punir os responsáveis pelas crises, a corrente de Lula acredita que o conteúdo dessa embalagem será recheado por propostas conduzidas por ela, já que ganhou musculatura na correlação de forças internas. Em sintonia com o Planalto, o grupo quer encaixar na resolução do Congresso do PT a defesa da convocação de uma Assembléia Constituinte exclusiva para votar a reforma política, como antecipou o Estado no domingo. "O problema é que está todo mundo escaldado com decisões de bloco e ninguém mais vai aceitar a tática do rolo compressor", disse o deputado Jilmar Tatto, da facção "PT de Luta e de Massas" e terceiro-vice-presidente do partido. Tatto é um dos poucos petistas que resistem a apoiar a idéia da Constituinte para reforma política.  "Tenho muitas dúvidas se esse é o remédio mais eficaz para resolver os problemas do sistema eleitoral brasileiro", comentou. Sabe, no entanto, que a proposta tem tudo para passar: apoio de Lula, do ex-Campo e das facções de esquerda. "Mas o carimbo do 'cumpra-se' perderá força. A partir de agora, tudo terá de ser negociado", advertiu.

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