Corrente de e-mail superlota banco de sangue

Um falso e-mail que circula na Internet, relatando a "situação dramática" do Instituto Nacional do Câncer (Inca) vem alterando a rotina do hospital nas últimas semanas. De acordo com a história, o Inca estaria com o banco de sangue vazio por falta de doadores, e até mesmo cirurgias já teriam sido desmarcadas em razão do problema. A solidariedade com a causa foi imediata: 123 pessoas chegaram a procurar o Inca, a um só tempo, na semana passada, ao mesmo tempo, a fim de colaborar. Lá, foram avisadas que não havia falta de sangue, pelo contrário. O Inca estava, na verdade, com o estoque cheio e já havia até mesmo se oferecido para contribuir com outros hospitais.Mesmo que pudessem doar, os internautas solidários teriam que esperar bastante: o hospital só dispõe de dez cadeiras de coleta. O instituto recebe cerca de 80 doadores diariamente. "O Inca jamais desmarcou uma cirurgia por falta de sangue, até porque, se o estoque fica reduzido, existe um acordo entre os hemocentros para suprirem a demanda uns dos outros", afirmou assessora de imprensa do Inca, Olga de Mello.Quase sempre desagradáveis, as correntes de e-mails que muitos internautas recebem todos os dias têm geralmente como tema causas supostamente humanitárias, com textos que exploram o lado sentimental dos casos, na maioria das vezes relacionados a doenças. No e-mail, o autor alertava que a "transfusão de sangue para pessoas com câncer é muito importante" e que, sem ela, "muitos pacientes não conseguiriam sobreviver". "Acreditamos que o autor da mensagem original teve um propósito humanitário, mas tudo não passa de ficção", conta Olga. Quem quiser doar sangue para o Inca deve, primeiro, marcar um horário. O telefone é (0xx21) 506-6580. Quem doa sangue pode ter o dia de trabalho abonado. Precisa pesar mais de 50 quilos, ter boa saúde, idade mínima de 18 anos e máxima de 60.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.