Corregedoria virou cabide de empregos

Comandado por Romeu Tuma, órgão tem 46 servidores comissionados

Rosa Costa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

17 de julho de 2009 | 00h00

Criada para zelar pelo decoro parlamentar, a Corregedoria do Senado é, na prática, um exemplo do empreguismo e de desvios de função. O órgão que funciona há 14 anos, e sempre com o mesmo corregedor, o senador Romeu Tuma (PTB-SP), tem 46 servidores comissionados. Destes, 17 foram nomeados por atos secretos. Do total de funcionários, cinco são "fantasmas", isto é, ganham, mas não trabalham. Tuma diz que a Corregedoria já deu "várias contribuições" para moralizar a instituição. Mas cita apenas o processo que, em 2000, resultou na cassação do senador Luiz Estevão (PMDB), por mentir na CPI que investigou desvios na obra do Fórum Trabalhista paulista. De lá para cá, a Corregedoria tem se limitado a juntar documentos, como nas cinco representações feitas em 2007 contra o então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Mas o número de servidores e os custos não pararam de crescer. Está lá, por exemplo, Carly Simone Valença de Araújo, mulher do ex-prefeito de São José da Laje (AL), Paulo Roberto Pereira de Araújo. Ou ainda José Maria Chaves Pinheiro Lopes, assessor especial do governo do Rio Grande do Norte. No caso do Amapá, aparece Illa Maria Cruz Penante, que disputou eleições pela Coligação do Povo Amapaense, e dois cidadãos do Piauí: Sarah Christina Souza Rios e Nilo Carvalho Neto, secretário de Assuntos Internacionais da Juventude do PMDB do Piauí. O Estado não conseguiu localizar essas pessoas. Tuma afirma ter "uns seis" assessores. Sua assessoria justifica a lotação dos 49 servidores - 46 comissionados e 3 efetivos - ao fato de o órgão integrar a Secretaria de Apoio a Conselhos e outros serviços do Congresso, como o Conselho de Ética. A explicação diverge da que foi dada pela diretora de Recursos Humanos, Dóris Marize Peixoto. Por meio de sua assessoria, ela apontou erros nos dados editados pelo Portal da Transparência, na página do Senado. Disse que a Corregedoria teria apenas quatro servidores. A maioria dos comissionados foi nomeada para a Secretaria de Recursos Humanos e para órgãos da Diretoria-geral, como o diretor-geral, Haroldo Feitosa Tajra. Lá também está o escritor maranhense, amigo do senador José Sarney (PMDB-AP), Ronaldo Costa Fernandes. Procurado, ele disse que desde 2003 está cedido pelo Ministério da Cultura ao Senado, onde faz o prefácio "de mais de 100 livros" impressos pela gráfica.

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