Corregedoria sonega 13 volumes a tucano

Juiz da 8ª Vara da Justiça Federal ordenou que papéis seja entregues a Eduardo Jorge

Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo,

31 de agosto de 2010 | 09h03

BRASÍLIA - Receita Federal sonegou do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, 13 volumes da investigação aberta pela corregedoria do órgão sobre a violação dos sigilos fiscais dele e de mais três pessoas ligadas ao comando do partido.

 

Veja também:

Receita exclui versão da propina ao pedir indiciamento de servidoras

Ana Maria e Klein tiveram dados violados, diz órgão

Defesa estuda medidas para evitar indiciamento

 

Na semana passada, Eduardo Jorge conseguiu autorização da Justiça Federal para ter acesso aos autos. Ontem, ele descobriu que 13 volumes não foram entregues. Seus advogados procuraram o juiz da 8.ª Vara da Justiça Federal Antonio Claudio Macedo da Silva, autor da decisão anterior, e o comunicaram da postura do órgão do governo federal.

 

No fim da tarde, o juiz ordenou a entrega dos papéis. Segundo ele, as partes, no caso o governo, têm o dever de "cumprir com exatidão os provimentos mandamentais e não criar embaraços à efetivação de provimentos judiciais".

 

Em seu despacho na semana passada, o mesmo juiz criticou a violação dos dados fiscais dos tucanos. "O Brasil convive há muito tempo com janelas quebradas na vizinhança da proteção ao sigilo", disse o magistrado.

 

O Estado revelou no sábado, 28, que a investigação exclui o funcionário Hamilton Mathias, que trabalha na mesma sala onde foi violado o sigilo dos tucanos. Mathias é delegado do Sindireceita (Sindicato dos servidores da Receita) no ABC, região de origem do PT. Apenas uma mesa o separa do computador de Adeildda Santos. Ao Estado, Hamilton disse ser inocente e estar tranquilo. Ele prestou depoimento à Corregedoria da Receita no dia 2 de agosto na condição de testemunha.

 

Naquele dia, negou qualquer envolvimento na consulta ilegal aos dados dos tucanos. Questionado pela corregedoria se tem ligações políticas, afirmou que "não é filiado, mas por residir em cidade pequena, Ribeirão Pires (SP), conhece o prefeito que é filiado ao PV, o vice-prefeito, e outras pessoas filiadas a partidos políticos diversos".

 

Além dele e Adeildda, mais dois servidores, Júlio Cezar Bertoldo e Gisleine Morgado, trabalhavam na mesma sala na época da violação dos sigilos. Em depoimentos, eles também negaram envolvimento no caso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.