Corregedoria da Câmara investiga Medeiros

O corregedor-geral da Câmara, Barbosa Neto (PMDB-GO), pediu que o Supremo Tribunal Federal (STF) envie à Casa os dados da movimentação da conta corrente do Instituto Brasileiro de Estudos Sindicais (Ibes) que teria sido aberta no Commercial Bank of New York, nos Estados Unidos, para saber se o deputado Luiz Antônio de Medeiros (PL-SP) mentiu ao garantir que não foi responsável por nenhuma transação bancária no exterior.Medeiros é alvo de um inquérito na Corregedoria para apurar sua suposta participação em esquema de desvio de recursos do Ibes, ligado à Força Sindical, para o exterior do Ibes.Relator das investigações no STF em relação ao caso, o ministro Sydney Sanches vai encaminhar na próxima semana à Justiça norte-americana um ofício, pedindo que ela comprove ou não a existência de contas correntes em Nova York em nome do Ibes, Medeiros ou familiares, e dos ex-assessores da entidade Marcos Cará e Wagner Cinchetto.O STF também quer obter informações das movimentações bancárias dessas contas. Em seu depoimento à Corregedoria na semana passada, Medeiros afirmou que, durante o período em que presidiu o Ibes, não abriu, não resgatou recursos ou fez remessas para contas correntes em bancos no exterior.Se as informações obtidas pelo STF indicarem que Medeiros movimentou dinheiro em banco de Nova York, ele terá mentido à corregedoria e, por conseqüência, será alvo de um processo por quebra de decoro parlamentar, o que poderá resultar na cassação de seu mandato.Cauteloso, o corregedor afirmou que ainda cedo para comprovar se Medeiros está envolvido nas supostas transações em instituições bancárias no exterior.?Preciso receber, primeiro, os dados do STF?, disse Barbosa Neto, que encaminhou ofício ao STF requerendo a documentação na última segunda-feira.?Isto porque não podemos desconsiderar a tese de que as transações no exterior podem ter sido feitas no período em que Medeiros estava fora do Ibes?, declarou.Marcado para ocorrer na próxima terça-feira, o depoimento de Wagner Cinchetto, ex-tesoureiro do Ibes e autor das acusações sobre a participação de Medeiros no esquema irregular, deverá ajudar a Corregedoria a apurar o envolvimento do deputado nas operações bancárias no exterior. Marcos Cará deverá ser ouvido na quarta-feira.

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