Corregedoria da Alerj recebe inquérito e pode ouvir Álvaro Lins

Na sexta, órgão decidiu revogar prisão do ex-chefe da PF envolvido na Operação Segurança Pública

Andréia Sadi, do estadao.com.br

02 de junho de 2008 | 14h34

O corregedor-geral da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, Luiz Paulo (PSDB) recebe nesta segunda-feira, 2, documentos da investigação sobre o ex-chefe da polícia do Rio e deputado estadual Álvaro Lins  (PMDB) para que seja analisado se houve quebra de decoro. A assessoria do órgão disse ao estadao.com.br que a Corregedoria pode interrogar o deputado e cassar o seu mandato."Se a corregedoria e o conselho de Ética acharem por bem abrir processo interno, vai ser julgado a cassação do deputado sim", disse.   Acusado na Operação Segurança Pública, o ex-chefe do governo de Anthony Garotinho- denunciado pelo Ministério Público Federal no esquema- foi solto após votação na Alerj que o liberou por 40 votos a 15. "A denúncias são gravíssimas. A imagem da Casa está péssima. O assunto tem que ser tratado com a maior rigidez, respeitado o processo legal, dado o direito de defesa ao deputado (Lins), mas tudo o que já foi escrito e lido nos indica a possibilidade de ter havido a quebra de decoro e, como conseqüência, (poderá haver) a perda do mandato, isto é, a cassação", declarou Luiz Paulo.   Veja também: PF vê elo entre Álvaro Lins e milícias Após decisão, Álvaro Lins deixa carceragem da PF no Rio Entenda a Operação Segurança Pública, que envolve Garotinho PF cumpre mandado de busca na casa do ex-governador PF prende ex-chefe de polícia do RJ; MP denuncia Garotinho   Sobre a polêmica votação do projeto que colocou o deputado em liberdade na última sexta-feira, a assessoria disse que os deputados defenderam apenas a questão jurídica, por se tratar de um parlamentar e por isso, ter direito ao foro privilegiado. "Inclusive, muitos deputados que subiram à tribuna para defender a liberdade de Lins podem ser favoráveis a sua cassação", explicou.   Caso entenda que há elementos que justifiquem a abertura de processo disciplinar contra Álvaro Lins, o corregedor encaminhará os autos ao Conselho de Ética da Alerj, presidido pelo deputado Paulo Melo (PMDB).   Pelo esquema, segundo a PF, a quadrilha teria usado a estrutura da Polícia Civil do Rio para praticar crimes de lavagem de dinheiro, facilitar contrabando e corrupção. Lins e Garotinho, que seriam os "chefes" do grupo, teriam mantido esquema com policiais para proteger contraventores na guerra pelo controle de caça-níqueis no Rio. De acordo com a PF, o grupo utilizava delegacias estratégicas, principalmente a de Proteção do Meio Ambiente, para realizar as ações.   Texto atualizado às 17h30

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