Corregedor pede explicações a TRE sobre suspeita de juíza ter beneficado senador no AC

Polícia Federal e o Ministério Público investigam a suspeita de que Viana teria comprado votos nas eleições

Felipe Recondo, de O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2010 | 19h29

BRASÍLIA - O corregedor da Justiça Eleitoral, Aldir Passarinho, pediu explicações ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre sobre a suspeita de que a juíza Arnete Guimarães teria agido para beneficiar o senador recém-eleito Jorge Viana (PT-AC), como revelou ontem o Estado.

 

A Polícia Federal e o Ministério Público investigam a suspeita de que Viana teria comprado votos nas eleições.  

 

A Justiça autorizou a busca e apreensão no escritório político da campanha, mas uma liminar dada pela juíza obrigaria a PF a devolver os computadores e a destruir qualquer prova que tivesse sido encontrada. O MP recorreu da decisão e conseguiu que a Polícia Federal permanecesse com as informações contidas em dois notebooks, três discos rígidos de outros computadores e cinco pen drives.

 

O pedido de explicações ao TRE levou a juíza a se declarar suspeita neste caso e a se afastar do processo. De acordo com investigadores, ela teria conversado com Jorge Viana antes de deferir a liminar para a devolução dos computadores e destruição de possíveis provas.

 

Jorge Viana negou que tenha conversado com Arnete Guimarães e afirmou que sua campanha correu "100% dentro da legalidade". Ele levantou dúvidas sobre a legalidade da operação da PF, baseada numa denúncia anônima. "É possível que pessoas que deveriam guardar a Constituição e as leis possam estar agindo ao arrepio de ambas. Mas este é um assunto para a Justiça", afirmou.

 

E negou as suspeitas de que tivesse reunido em seu escritório listas com nomes de eleitores e números dos respectivos títulos e locais de votação. "Jamais realizei qualquer ato contrário à legislação eleitoral no curso da minha campanha para a eleição ao Senado pelo Estado do Acre", disse.

 

"Ao contrário do que é informado na reportagem (publicada ontem), jamais mantive contato pessoal ou por telefone ou qualquer outro meio com a desembargadora Arnete Guimarães para tratar do conteúdo do mandado de segurança, assim como qualquer pessoa vinculada a mim. Fui representado exclusivamente por intermédio de meus advogados em todos os procedimentos judiciais relacionados ao caso.", acrescentou.

 

Viana relatou que os agentes da Polícia Federal entraram em seu escritório de campanha na madrugada do sábado, na véspera da eleição. Esses policiais, de acordo com ele, disseram não ter encontrado qualquer indício de irregularidade. E afirmou que nenhuma suspeita foi levantada contra sua campanha durante as eleições.

 

 

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