Corregedor pede arquivamento de processo contra Francisco Rodrigues

O corregedor da Câmara, Ciro Nogueira (PP-PI), vai propor o arquivamento do processo contra o deputado Francisco Rodrigues (PFL-RO) por uso irregular de verba da Câmara. Reportagem do jornal O Globo revelou que deputados apresentavam notas frias para justificar os gastos da verba indenizatória de R$ 15 mil. O parecer do corregedor, que seria entregue nesta quarta-feira ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), já está pronto. A prioridade da corregedoria ontem, no entanto, passou a ser o caso dos deputados citados na lista da Polícia Federal sobre suposto envolvimento em quadrilha de desvio de dinheiro do Orçamento para a compra superfaturada de ambulâncias para diversos municípios do País. O caso de Rodrigues e o processo contra o deputado Jorge Bittar (PT-RJ) deverão ser encaminhados à Mesa da Câmara nos próximos dias. Bittar, acusado de xingar o senador Delcídio Amaral (PT-MS) em reunião da CPI dos Correios, deverá receber uma advertência.Em entrevista publicada pelo jornal, Rodrigues confessou usar notas de combustível para fazer sua prestação de contas, mesmo que as despesas fossem de outra natureza, porque achava mais fácil justificar os gastos dessa maneira. O deputado foi o recordista de gastos com combustíveis nos primeiros quatro meses deste ano - R$ 60 mil, equivalente ao preço de cerca de 22.000 litros de gasolina. Na corregedoria, Rodrigues negou que tivesse admitido a irregularidade na prestação de contas.A corregedoria entendeu que não cabe ao órgão fazer auditoria nas notas fiscais, já que o departamento responsável pela prestação de contas da Casa não o fez. Além disso, há o argumento de que não havia limites para o gasto de combustíveis. O próprio corregedor também está na lista de deputados que mais gastam com combustível. De janeiro a abril deste ano, os gastos de Ciro Nogueira com combustíveis ficaram em torno de R$ 10 mil por mês. A decisão do corregedor precisa ser levada à reunião da Mesa.No caso do deputado Jorge Bittar, o corregedor deverá sugerir uma advertência ao parlamentar. O senador Delcídio Amaral (PT-MS) pediu a cassação do deputado que o xingou durante a última sessão da CPI dos Correios em abril passado, que aprovou o parecer do relator, Osmar Serraglio (PMDB-PR). Os governistas não queriam a aprovação do relatório e a sessão terminou em tumulto.

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