Corregedor diz que pedirá cassação de Lins na próxima terça

Deputado prestou depoimento na Assembléia; ele é acusado de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro

Marcelo Auler, de O Estado de S.Paulo,

04 de junho de 2008 | 13h54

O corregedor da Assembléia Legislativa do Rio, Luiz Paulo Correa da Rocha, informou nesta quarta-feira, 4, que depois de duas horas questionando o deputado e ex-chefe da Polícia Civil Álvaro Lins não mudou sua convicção "de que ele faltou com decoro parlamentar em fatos, pretéritos e presentes". Rocha prometeu para a próxima terça-feira a entrega à mesa diretora do relatório no qual ele e o sub-corregedor pedirão a cassação do parlamentar do PMDB.   Veja também: PF vê elo entre Álvaro Lins e milícias Entenda a Operação Segurança Pública, que envolve Garotinho PF cumpre mandado de busca na casa do ex-governador PF prende ex-chefe de polícia do RJ; MP denuncia Garotinho   Segundo o corregedor, um dos motivos da cassação é o deputado Álvaro Lins manter em seu gabinete diversas pessoas que já estavam indiciadas no inquérito da Polícia Federal, algumas das quais hoje estão denunciadas pelo Ministério Público. No depoimento, Lins negou todas as acusações e alegou perseguição dos seus desafetos.   Denunciado pelo Ministério Público Federal sob a acusação de praticar os crimes de formação de quadrilha armada, lavagem de dinheiro, facilitação de contrabando e corrupção passiva, Lins chefiou a Polícia Civil do Rio de 2000 a 2006, quando foi eleito. Ele foi preso na manhã da última quinta-feira, durante a Operação Segurança Pública S.A., da Polícia Federal, que também cumpriu mandados de busca e apreensão na casa do ex-governador e ex-secretário de Segurança Anthony Garotinho (PMDB), acusado de apoiar a "organização criminosa" supostamente comandada por Lins.   A deputada estadual Cidinha Campos (PDT) afirmou nesta quarta considerar "deplorável" o depoimento prestado pelo deputado à Corregedoria da Assembléia Legislativa. Segundo Cidinha, Lins recusou-se a responder a suas perguntas, limitando-se a responder aos questionamentos "cômodos" do corregedor.   O ex-chefe da polícia foi sabatinado pelo corregedor e pelo corregedor-adjunto da Alerj Comte Bittencourt (PPS). Além dos três parlamentares, participou do interrogatório um assessor de Lins, que seria delegado da Polícia Civil.

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