Corregedor da Câmara ataca a Justiça e a Polícia Federal no caso das ambulâncias

O corregedor da Câmara, Ciro Nogueira (PP-PI), acusou a Polícia Federal de ter agido de maneira ilegal e chamou de irresponsável o juiz de Mato Grosso que trata do processo que apura o esquema de compra superfaturada de ambulância para municípios com recursos do Orçamento da União. Ciro Nogueira disse que a Polícia Federal, independentemente de autorização do Supremo Tribunal Federal, está investigando os parlamentares, o que contraria a lei. Segundo Nogueira, a PF está infringindo a lei ao mostrar a lista de deputados para que a funcionária do Ministério da Saúde Maria da Penha Lino aponte os supostamente envolvidos. O corregedor disse que o juiz não teve a responsabilidade de pedir à Polícia Federal que separasse os deputados contra os quais há indícios de envolvimento dos que apenas foram citados por terem apresentados emendas ao Orçamento. "O juiz foi irresponsável nesse caso", afirmou.O documento encaminhado à Câmara é assinado pelo juiz federal da 2ª Vara de Mato Grosso, Jéferson Schneider.ConvitesA Comissão de Sindicância da Câmara decidiu convidar para depor o delegado e os procuradores envolvidos nas investigações do esquema de compra superfaturada de ambulâncias com recursos do Orçamento da União. Na reunião realizada nesta quinta-feira, a comissão aprovou 28 convites para depoimentos, já que ela não tem poder para obrigar a presença dos depoentes. A idéia, segundo o corregedor da Câmara, é ouvir primeiro os envolvidos na investigação e depois os parlamentares acusados. A funcionária do Ministério da Saúde, Maria da Penha Lino deverá ser uma das primeiras pessoas a ser convidada. Nogueira disse que recebeu depoimento de Marinha da Penha, prestado nesta semana à PF de Cuiabá, e do motorista que atendia os funcionários da Planam, empresa que vendia as ambulâncias. A Comissão de Sindicância já pediu à Justiça todos os documentos e gravações sobre as investigações.EsquemaO escândalo das ambulâncias eclodiu na quinta-feira passada, dia 4, depois que a Polícia Federal lançou a chamada Operação Sanguessuga. Foram presas 48 pessoas, entre elas dois ex-deputados: Bispo Rodrigues, que renunciou no caso do mensalão, e Ronivon Santiago, envolvido no caso da aprovação da emenda da reeleição proposta por Fernando Henrique Cardoso.Assessores parlamentares também foram presos, acusados de integrar um esquema em que emendas parlamentares eram feitas comprometendo o Orçamento da União com a compra de ambulâncias superfaturadas. O esquema envolveria também servidores do governo federal, empresários e prefeitos, além de parlamentares.A PF mandou à Câmara uma lista com 63 nomes de deputados citados nas investigações. Uma segunda lista, com 81 nomes, foi encaminhada depois que a PF tomou um longo depoimento da servidora Maria da Penha Lino, do Ministério da Saúde, em Cuiabá. Este texto foi atualizado às 15h45, para acréscimo de informações.

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