Corregedor avisa que Jucá é alvo também

Líder é acusado de participação em desvios em ministérios do PMDB

Ana Paula Scinocca e Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2004 | 00h00

Brasília - O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), afirmou ontem que vai incluir nas investigações sobre as novas denúncias contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), a acusação de que o líder do governo, senador e ex-ministro Romero Jucá (PMDB-RR), também estaria envolvido em suposto esquema de desvio de dinheiro público em ministérios comandados pelo PMDB.Tuma destacou que, se ficar comprovada participação de Jucá, o líder do governo terá de dar explicações. "Cada um responde pela sua responsabilidade. Se tiver mais alguém, tem que dançar. A valsa não toca só para um. Quem é acusado tem responsabilidade idêntica. Você não isola um porque o outro aparece", afirmou.Desde o início das denúncias contra Renan Calheiros, Tuma tem dito estar se empenhando para que a apuração tenha resultado. Até agora, porém, nada de concreto foi apresentado pela Corregedoria do Senado. O mesmo aconteceu em relação ao caso do senador Gim Argello (PTB-DF). O ex-suplente de Joaquim Roriz (PMDB-DF), que renunciou no começo de julho para escapar de processo de cassação, também seria investigado pela Corregedoria do Senado, mas até o momento nada foi apresentado pelo órgão. Gim Argello é acusado de grilagem de terra, entre outras denúncias, como participação em desvio de dinheiro público no esquema flagrado pela Operação Aquarela, da Polícia Civil. LOBISTATuma disse esperar ter ainda hoje acesso ao depoimento que o advogado Bruno de Miranda Lins prestou à Polícia Civil do Distrito Federal há um ano. À época, o advogado acusou seu ex-sogro, o lobista Luiz Garcia Coelho, de operar para diversos políticos do PMDB com recursos desviados de ministérios. Coelho é pai de Flávia Garcia Coelho, funcionária do gabinete de Renan e ex-mulher de Bruno Lins. A acusação foi feita pelo advogado em meio à sua separação litigiosa. "Ele (Lins) não pode deixar de comprovar o que falou. Essa era uma briga familiar incluindo algo que o sogro, como lobista, provavelmente tenha feito", disse Tuma.Segundo a mais recente denúncia, Renan e Jucá teriam beneficiado o banco BMG para a concessão de crédito consignado. Em troca, a instituição financeira teria pago propina aos integrantes do esquema.DEFESAJucá esteve no Senado no início da tarde e disse apenas que as denúncias contra ele "não têm fundamento". Mais tarde, afirmou, por meio de sua assessoria, que quando assumiu o Ministério da Previdência, em 2005, o crédito consignado já existia no País.Ele disse ainda que, ao ser informado da suspeita de que o BMG tinha sido favorecido, pediu à força-tarefa do ministério que fizesse uma auditoria e "nada foi constatado".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.