Correção: Cruvinel atribui saída da EBC a conselheiros

A nota enviada anteriormente contém uma incorreção. Ao contrário do que diz a matéria, no penúltimo parágrafo, a Intervozes não é um braço do PSTU. Segue o texto corrigido:

JOÃO DOMINGOS, Agência Estado

31 de outubro de 2011 | 21h44

A jornalista Tereza Cruvinel atribuiu a saída dela da presidência da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) à pressão do Conselho Curador, que a ameaçava de impeachment. "A presidente Dilma me convidou para um segundo mandato", afirmou Tereza. "Não sou insana. Achei melhor sair, porque não quero ser desqualificada. Assim que conversei com a presidente Dilma começaram (conselheiros) a falar até em impeachment", disse Tereza.

O que houve entre ela e o Conselho Curador, disse Tereza, "foi uma questão de (disputa de) poder". Segundo Tereza, que deixou hoje a presidência da EBC, o Conselho não é gestor e não pode querer agir como tal. "Mandar retirar páginas da grade de programação não é seu papel", afirmou a jornalista. "O presidente e os diretores não podem ser subalternos ao Conselho. Se forem, não haverá independência".

Tereza disse que entregou à presidente Dilma Rousseff sugestão de seis mudanças na lei que criou a EBC. Uma delas é exatamente definir qual é o papel do Conselho Curador. "O conselheiro Daniel Aarão Reis Filho chegou a me dizer: `sua função é trabalhar; a minha é te controlar".

A EBC foi criada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2007, como uma empresa pública destinada a substituir a antiga Radiobrás. A lei da EBC diz que o Conselho Curador - com 22 integrantes, quatro deles indicados pelo governo, e outros pelo Legislativo e pela sociedade civil - é o instrumento de controle social da TV Brasil e demais canais públicos geridos pela EBC.

Nos quatro anos de existência da EBC, foram notórias as divergências entre a diretoria da empresa e os integrantes do Conselho Curador. A ponto de o conselho determinar, por exemplo, que fossem retirados da grade de programação da EBC dois programas religiosos, um católico e um evangélico. O conselho alegava que o Estado é laico e a TV Brasil não poderia transmitir os programas. Tereza dizia que a empresa deveria abrir espaço também para todas as outras manifestações religiosas.

Acabou prevalecendo a vontade do Conselho Curador e os programas deveriam ser retirados do ar. Mas houve recurso à Justiça e a decisão do conselho foi suspensa liminarmente.

O Conselho Curador acabou por eleger representantes das alas ideológicas do PT e de outros partidos, como o PSTU, o que aumentou a disputa pelo poder dentro da empresa. Tereza afirmou que, num erro de avaliação, cedeu o funcionário Diogo Moysés para o cargo de secretário-executivo do conselho. Moysés é ligado à Intervozes, um dos movimentos que defendem o controle social da mídia. Ele disse que não preferia não responder a Tereza.

Já a vice-presidente do Conselho Curador, Ana Luíza Fleck, afirmou que ao atacar o órgão, Tereza foi "irresponsável com o projeto de consolidação da TV Brasil". "Ela se esqueceu de que o Conselho Curador é o responsável pela democracia na empresa, pois representa todos os setores. Ela se esqueceu também de que a EBC é uma empresa pública e não uma estatal".

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