Corrêa conclui mudanças e põe fim à era Lacerda na Polícia Federal

Ao dar posse ao delegado Valdinho Jacinto Caetano na Corregedoria da Polícia Federal, na sexta-feira, o delegado Luiz Fernando Corrêa finalmente conseguiu, 15 meses após assumir o cargo de diretor-geral da instituição, montar sua diretoria-executiva. José Ivan Guimarães Lobato, o antigo corregedor, era o último dos dirigentes da gestão do delegado Paulo Lacerda - que hoje vive momentos de ostracismo, afastado da diretoria da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Com essa última mudança na cúpula, da época de Lacerda restam apenas os superintendentes do Paraná e do Amapá e o diretor da Academia de Polícia. Oficialmente, todos falam em continuidade administrativa. No entendimento da nova diretoria, contudo, está mais do que na hora de dar espaço à renovação.Nomes que ficaram famosos na coordenação das 693 operações que, entre 2003 e 2008, prenderam 9.894 pessoas, hoje estão sem função. É o caso do ex-diretor-executivo Zulmar Pimentel, encostado na Interpol, e do próprio Lobato, que deixou a corregedoria sem saber o que fará a partir de agora.As sete cadeiras de diretores do departamento e as coordenadorias hoje são ocupadas por delegados que freqüentaram a Academia de Polícia Federal em 1994/95, mesmo período de Corrêa. Mas ele tem dito que não foram os vínculos de amizade que determinaram os convites para os cargos, mas os currículos.Enquanto na gestão de Lacerda a preocupação foi mudar a imagem da PF, transformando-a em uma instituição acreditada pela população, o discurso agora é a necessidade de pensar a longo prazo. A atual diretoria tem como certo que o modelo de Lacerda estava esgotado. Em recente desabafo, Corrêa admitiu: "Esta polícia ia entrar em colapso, em cinco anos. Se fosse empresa privada, pediria falência."

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