Corporativismo da Câmara pode beneficiar Paulinho, diz relator

Piau pediu a cassação do deputado acusado de desvios do BNDES, mas sessão foi adiada após pedido de vistas

Andréia Sadi, do estadao.com.br

26 de novembro de 2008 | 18h20

O deputado Paulo Piau (PMDB-MG), relator do processo contra Paulo Pereira da Silva na Câmara disse que há provas suficientes para provar a quebra de decoro de Paulinho da Força. " Temos provas suficientes para dizer que ele cometeu quebra de decoro. O conselho não tem que provar crime, temos que provar quebra de decoro. Muitos pedem provas, mas não temos que provar, quem tem que fazer isso é o Ministério Público e o STF", disse.   Veja Também:  Entenda a Operação Santa Tereza   Em entrevista ao estadao.com.br, Piau afirmou que não sabe se o seu relatório será aprovado no conselho, e posteriormente, no plenário, mas disse que se a Câmara optar pelo corporativismo, Paulinho sairá ileso. "Se a posição da Casa for mais corporativista, beneficia (deputado). Se for pela moralização do processo, facilita. A Casa tem uma reação dessa natureza e a gente percebeu isso hoje no conselho. Mas as pessoas também estão preocupadas com o nome da Casa", explicou.   O Conselho de Ética da Câmara suspendeu nesta tarde a discussão do relatório  de Piau, que pedia a cassação do deputado. A discussão foi suspensa por dois dias, em razão da apresentação de um pedido de vistas pela deputada Solange Amaral (DEM-RJ), e só será retomada pelo conselho na próxima semana.    Paulinho é acusado de envolvimento em esquema de desvio de verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).   Ele é apontado pelos federais como "beneficiário" da partilha de recursos do banco estatal. Além disso, caiu em grampo telefônico discutindo com alvos da Santa Tereza "formas de desqualificar a investigação", conforme o Estado revelou em maio. O fato, à época, foi o suficiente para que o corregedor da Câmara, Inocêncio de Oliveira (PR-PE), pedisse sua cassação. "Ele não poderia usar o mandato para pressionar A, B ou C. O telefonema foi um momento muito infeliz", afirmou.

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