Corporação fez 408 operações desde 2003

Entre os quase 6,5 mil presos estão políticos, empresários e magistrados

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2004 | 00h00

Sob seu comando, a Polícia Federal mandou para a prisão quase 6,5 mil acusados, entre empresários, doleiros, servidores públicos e políticos sob suspeita de ligação com esquemas de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e crime do colarinho branco. Foram 408 operações, desencadeadas desde o início de 2003 e que levaram a corporação ao papel de agenda positiva de um governo sucessivamente abalado por denúncias.Ex-bancário nascido no Rio, flamenguista de paixão, Paulo Fernando da Costa Lacerda, de 61 anos, 33 dos quais dedicados à carreira de delegado, dirigiu a PF durante todo o primeiro governo Lula e nesses oito meses do segundo mandato. Agora, vai para a Agência Brasileira de Informação (Abin).Lacerda já havia conquistado notoriedade, em 1992, quando desvendou o esquema PC Farias, tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor (1990-1992).Independência e respaldo político, segundo avaliação de Lacerda, foram fundamentais para a atuação da PF nesse longo período em que a instituição suportou críticas ao modelo adotado nas missões de rua.GRAMPOSMuitas vezes a PF foi tachada de arbitrária e também da prática de bisbilhotice, principalmente pela chuva de grampos telefônicos com os quais fechou o cerco a seus alvos. Contra as invasões de escritórios de advogados, a OAB insurgiu-se e fez pressão. Contra as operações que alcançaram gabinetes da República, rebelaram-se aliados do presidente - que atribuíram "descontrole" à instituição federal. "Não queremos ser a palmatória do mundo, queremos apenas fazer a nossa parte, que está na Constituição", declarou o ex-diretor-geral, quando questionado sobre eventuais abusos de seus agentes.Um ponto de apoio, que Lacerda sempre destacou: todas as ações são amparadas em ordem judicial. "Sem o apoio do Judiciário e sem a confiança do Ministério Público Federal não poderíamos chegar a lugar nenhum", disse, em setembro de 2004, ao Estado.Cerca de mil funcionários, dos três Poderes e em todos os seus níveis, foram enquadrados pela PF na gestão Lacerda. Para ele, o combate ao crime organizado exige mais determinação e audácia porque quase sempre servidores públicos estão envolvidos. "Onde tem crime organizado tem algum agente público envolvido", costuma dizer o delegado. "E se você não for duro com ele, você não vai chegar a lugar nenhum. Pode ser um policial, pode ser um fiscal, uma autoridade, pode ser um político, um magistrado. O crime organizado tem uma importância muito decisiva em todos os segmentos."

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