Corpo de Miguel Reale é sepultado em São Paulo

Foi sepultado no final da tarde de desta sexta-feira o corpo do jurista Miguel Reale, que sofreu enfarte e faleceu aos 95 anos. O corpo foi velado na própria casa do jurista e seguiu, às 16 horas, para o cemitério São Paulo, zona Oeste da capital. Mesmo ocorrendo no feriado o velório e sepultamento de Reale acabou reunindo diversas gerações do mundo jurídico, político e acadêmico - grande parte ex-alunos do jurista. Entre eles estiveram o governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), o ministro do STF, Enrique Ricardo Lewandowski, o senador Eduardo Suplicy (PT), o presidente do PMDB, deputado Michel Temer, o presidente da OAB paulista, Luis Flávio D´Urso, os ex-ministros da Comunicação, Luiz Carlos Mendonça de Barros, e das Relações Exteriores, Celso Lafer - ambos da gestão de Fernando Henrique Cardoso. Reale foi lembrado nas cerimônias por sua postura humanista, extensa e importante obra jurídica, pela coordenação do Novo Código Civil, por sua paixão em dar aulas e constante produção intelectual, mesmo aos 95 anos.HomenagensEm Brasília, políticos e personalidades do mundo jurídico renderam suas últimas homenagens ao jurista e mestre Miguel Reale, destacando sua importância ímpar na história do pensamento jurídico e filosófico. Para o ministro César Pelluzzo, do Supremo Tribunal Federal (STF), Reale é o maior jurista brasileiro de todos os tempos, uma referência internacional por sua obra e pensamento. "Reale era um homem de cultura extrema, um dos poucos filósofos e juristas do Brasil conhecidos no mundo. Sua morte representa uma perda significativa para o mundo jurídico", afirmou Pelluzzo.O presidente da Câmara dos Deputados, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), também se somou aos elogios à singularidade do pensamento de Miguel Reale. "Ele representou a expressão mais elevada do pensamento jurídico nacional. A sua presença nas Letras jurídicas da nação equivale ao que representou Pontes de Miranda, em originalidade, erudição e preocupação com os destinos do Brasil", disse o parlamentar."O advogado, professor, escritor e jurisconsulto Miguel Reale entra para a História do Direito brasileiro como um de seus luminares. Honrou e marcou a advocacia brasileira como bem poucos, tornando-se referência de saber jurídico e de conduta moral, ao longo de mais de sete décadas de intensa atuação profissional", disse o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato.

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