Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Corpo de Marisa Letícia é velado em São Bernardo do Campo

Com faixas e bandeiras, grupo se reuniu para o velório da ex-primeira-dama

Pedro Venceslau e José Roberto Gomes, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2017 | 10h03
Atualizado 04 de fevereiro de 2017 | 14h10

Ex-ministros petistas, deputados, dirigentes sindicais, governadores e uma multidão de simpatizantes participaram neste sábado, 4, do velório da ex-primeira-dama Marisa Letícia na quadra do Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. A mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva morreu nesta sexta-feira, 3, aos 66 anos, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, em decorrência de um acidente vascular cerebral (AVC). 

A fila para cumprimentar Lula deu a volta no quarteirão. De pé ao lado do caixão, que recebeu uma bandeira do PT e outra do Brasil, o ex-presidente abraçou um a um. Na coroa de flores enviada pelo próprio Lula, lia-se a mensagem: “Minha galega: agora o céu ganha a estrela que iluminou minha vida”. Após a chegada do corpo ao local pela manhã, o religioso Frei Betto fez uma oração para a família e os amigos próximos. 

A presidente cassada Dilma Rousseff esteve no local no fim da manhã. Já o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente, Michel Temer, e o ministro das Relações Exteriores, José Serra. visitaram Lula na quinta-feira, no Hospital Sírio Libanês, após o agravamento do quadro de Marisa Letícia, mas não compareceram ao velório. O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) ligou para Lula – quando Thomaz, filho mais novo de Alckmin, morreu aos 31 anos em 2015, o ex-presidente também telefonou para prestar condolências.

Ao chegar ao sindicato, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) falou sobre o encontro entre Temer e Lula, o primeiro desde o impeachment de Dilma Rousseff, e rechaçou a possibilidade de abertura de diálogo entre eles. “É precipitado dizer que isso vai acarretar em um entendimento na política. Vamos bater duro na reforma da Previdência e consideramos Temer um presidente ilegítimo”, disse Farias.

Já o vereador e ex-senador Eduardo Suplicy avalia que a visita de Temer a Lula no hospital pode abrir caminho para o diálogo. “Nesse momento de desavenças tão profundas, a morte de dona Marisa pode criar essa vontade de se conversar mais sobre o Brasil.”

Um dos fundadores do PT, o deputado federal Vicentinho (PT-SP) comentou que “sinceridade era a característica” da primeira-dama. “Quando tinha de dar umas duras, ela dava.” Também passaram pelo local a deputada Luiza Erundina (PSOL-SP), os governadores do Rio de Janeiro, Luiz Pezão (PMDB), de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT) e do Acre, Tião Viana (PT), o líder do MTST, Guilherme Boulos, o presidente da UGT, Ricardo Pattah e o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, condenado no mensalão.

 

Pela manhã, uma equipe da TV Globo foi hostilizada por parte dos presentes, aos gritos de “imprensa golpista” e “imprensa assassina”. A equipe deixou o local, e o sindicato pediu que o dia não seja de “confusão com a imprensa, mas de silêncio”.

Apoio. Admiradores que compareceram ao velório elogiaram a parceria de Marisa Leticia com o ex-presidente Lula. “Ela foi tudo para ele e lutou muito para acabar com a fome no País”, disse José Porto, sindicalista e, em suas próprias palavras, amigo de Lula. 

O corpo da primeira dama seria cremado na tarde de ontem, em uma cerimônia reservada para a família. Ela estava internada desde 24 de janeiro.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.