Corpo de Juruna está sendo velado na Câmara

O corpo do ex-cacique Mário Juruna, que foi parlamentar no período de 1983 a 1987, pelo PDT, está sendo velado no Salão Negro da Câmara. O presidente da Funai, Otacílio Antunes, informou que o corpo de Juruna deverá ser trasladado para a aldeia Xavante Barreirinha, no município de Barra do Garças, no Mato Grosso, por volta das 15h de hoje. O translado será feito por um avião bimotor da Funai. A Funai está dividindo as despesas de internação e sepultamento do índio com a Fundação Nacional de Saúde. Segundo Antunes, o enterro de Juruna deverá ocorrer somente amanhã, pela manhã, na aldeia da família.O presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, informou, por meio de sua assessoria, que estará logo mais em Brasília para prestar as últimas homenagens ao índio. Os índios Kaiapó realizaram uma homenagem a Juruna. Juruna tinha 62 anos e morreu ontem, depois de 15 dias internado, por complicações renais.Durante o velório, no Salão Negro da Câmara, representantes de várias tribos indígenas, incluindo o cacique Raoni, e o vereador por Mato Grosso, Jeremias Itiriate, reclamaram do descaso da Funai em relação aos indígenas e da possibilidade de ser sancionado um projeto de autoria do senador Romero Jucá (PSDB-RO), que regulamenta as atividades de mineradoras em terras ocupadas por tribos indígenas. O presidente da Funai, Otacílio Antunes, reagiu às críticas afirmando que a instituição tem "se esforçado" para neutralizar as ações contrárias aos desejos dos índios. Segundo ele, é interesse do governo regularizar as atividades das mineradoras, mas a decisão final caberá a instâncias superiores. "O governo estará acompanhando todas essas ações e a Funai estará no controle". Se o projeto for sancionado, a Funai não terá estrutura e terá que fazer uma reestruturação no órgão", afirmou.

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