Corpo de deputada petista é velado na Assembléia do Rio

Heloneida Studart tinha sido submetida a cirurgia no coração havia seis dias e morreu após parada cardíaca

Felipe Werneck e Marcelo Auler, do Estadão,

03 de dezembro de 2007 | 20h39

Coberto por duas bandeiras do PT - uma rosa, outra vermelha -, o corpo da ex-deputada petista Heloneida Studart foi velado na tarde desta segunda-feira, 3, no salão Getúlio Vargas do Palácio Tiradentes, sede da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ela tinha sido submetida a uma cirurgia no coração havia seis dias e morreu às 9 horas, após uma parada cardíaca, na Casa de Saúde São José. Amigos contaram no velório que a ex-deputada comemorou no último domingo, na cama, a vitória para a presidência da 25.ª zona eleitoral do PT no município. Um dos filhos de Heloneida havia sugerido à mãe que retirasse a candidatura, por causa da saúde debilitada. "E eu lá sou mulher de tirar candidatura?", respondeu ela. Quando soube da vitória, declarou: "Viu como sou guerreira? Mesmo no leito de hospital a militância me elegeu." Heloneida tinha 76 anos, mas documentos registravam 82 - quando ela chegou do Ceará, aos 13 anos, aumentou a idade para poder trabalhar no Rio. Jornalista e escritora, Heloneida exerceu seis mandatos na Alerj - o primeiro, em 1978, pelo então MDB -, foi presa durante o regime militar e ficou conhecida como uma das fundadoras do movimento feminista no País. Atuou como líder da bancada do PT na última passagem pela Casa, mas não conseguiu se reeleger. Uma das leis propostas pela ex-deputada garantiu a mães pobres o direito ao exame de DNA para análise de paternidade. Heloneida participou do chamado "lobby do batom" durante a Assembléia Constituinte, em defesa da inclusão de direitos trabalhistas específicos para mulheres na Carta de 1988, como a licença-maternidade de 120 dias. Heloneida foi nomeada este ano diretora do Centro Cultural da Assembléia Legislativa e do Fórum de Desenvolvimento Estratégico do Estado do Rio de Janeiro Jornalista Roberto Marinho. O título de uma das peças de teatro escritas pela ex-deputada foi "Homem Não Entra", na qual ela defendia a promoção dos direitos das mulheres.

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