Corpo de colaborador do Ibama é encontrado

O corpo do colaborador do Ibama de Roraima, José Santos, foi encontrado nesta quinta-feira em uma praia do rio Branco, segundo informou o Jornal Nacional desta quinta-feira. Ele foi supostamente assassinado pelo mesmo grupo de caçadores de tartarugas que ameaça os ribeirinhos nas comunidades do Amazonas. Na última quarta-feira, homens armados atacaram um acampamento do Ibama no município de Caracaraí, região sudoeste de Roraima. Ao Jornal Nacional, a gerente do órgão naquele Estado, Nilva Baraúna, disse que o ataque foi uma represália à fiscalização contra caçadores de tartaruga que atuam na área. Seis pessoas ficaram feridas durante o ataque e José Santos, que prestava serviço para o Ibama, havia sido baleado e estava desaparecido. Agentes ambientais voluntários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) de quatro comunidades ao longo do rio Jauaperi, em Barcelos, a 396 quilômetros de Manaus, já haviam denunciado no fim de outubro à superintendência do órgão no Amazonas ameaças e ataques à bala de caçadores ilegais de tartarugas. "Nós não temos dúvidas que são os mesmos tartarugueiros que nos ameaçam no Jauaperi, onde vivem 120 famílias em oito comunidades, metade às margens da parte do rio que fica em Roraima e a outra na parte do Amazonas. Os tartarugueiros estão sempre armados e nós não temos nada para nos defender", explica o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Aldenor Sobrinho Barbosa, um dos responsáveis pelo envio de duas cartas ao Ibama no Amazonas, uma no dia 25 de outubro e outra no dia 13 de novembro, denunciado as ameaças. Segundo a assessoria de imprensa do Ibama de Roraima, uma das cinco vítimas do ataque dos tartarugueiros na terça-feira, o veterinário Raimundo Pereira Cruz, afirmou que os agressores ainda não identificados levaram a lancha do instituto onde tinha caído José Santos, após ser atingido por tiros de espingarda. Os tartarugueiros costumam caçar as tartarugas de novembro até dezembro, quando os rios secam e os animais buscam os bancos de areia para desovar, quando são capturados. No mercado negro em Manaus e Belém, uma tartaruga grande com cerca de 20 quilos pode custar até R$ 1 mil. Segundo dados do Ibama, em 2004, foram apreendidos 4,9 mil quelônios em blitze no Amazonas.Em 2005, foram 2,5 mil. Os dados deste ano ainda não foram computados no Estado, mas só em Manaus, até o fim de outubro deste ano, foram 580 quelônios capturados e transportados ilegalmente apreendidos pelo Ibama. No Amazonas há 57 criadouros de quelônios legalizados.Colaborou Liège Albuquerque

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