Corpo de Campos será enterrado em túmulo do avô Miguel Arraes

Viúva, Renata Campos, tratou perda com serenidade e se manteve 'firme como uma rocha' ao lado dos cinco filhos

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

13 de agosto de 2014 | 16h04

Atualizada às 21h16

RECIFE - O corpo do ex-governador e candidato à Presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, será enterrado no mesmo túmulo do avô, o ex-governador Miguel Arraes, que morreu em 2005, no cemitério de Santo Amaro, na zona norte do Recife. Arraes, que inspirou e introduziu o neto na vida política, morreu há nove anos, também num dia 13 de agosto. 

A informação foi dada pelo único irmão de Campos, Antonio Campos, em rápida entrevista na tarde de desta quarta-feira em frente à casa da família do candidato. Até a noite desta quarta-feira, 13, não havia confirmação de horário e dia do sepultamento. “Perdi um irmão muito amado, um grande amigo”, disse Antonio, ao contar ter conversado com o candidato às 6h59, antes da viagem para o cumprimento de agenda em Santos. “Ele estava feliz com a participação positiva no Jornal Nacional.” Campos havia dado entrevista na bancada do programa na noite da terça-feira. A viúva, Renata Campos, também compartilhou a satisfação dele com os amigos, familiares e políticos que a visitaram. “Fui lá e fiz um gol”, dizia ela, repetindo a frase dita por Campos ao comentar a entrevista, aos que lhe foram abraçar e prestar solidariedade. Mesmo muitas vezes entre lágrimas, ela se mostrava serena e partilhava da felicidade do marido. 

Renata encontrou com o marido no Rio. Enquanto ele foi para Santos, ela retornou ao Recife. Viajou em um voo comercial e ficou recolhida em casa. A família não falou com a imprensa. 

“Não estava no script”, lamentava ela, enquanto recebia, de pé, com um abraço, cada um que chegava à sua casa, na Rua Luiz da Mota Silveira, no bairro de Dois Irmãos, zona norte do Recife, onde mora desde o casamento. 

Renata não saiu de perto dos cinco filhos e se revezava com os mais velhos nos cuidados com o caçula, Miguel, de 7 meses. 

O casal se conheceu ainda criança e começou a namorar na adolescência. Seguidores da cartilha do ex-governador e avô de Campos, Miguel Arraes, construíram uma família que era admirada por todos que os conheciam pela união, harmonia e respeito. Tiveram Maria Eduarda, João, Pedro, José e Miguel. A mais velha tem 22 anos. Os filhos, segundo pessoas que os visitaram, também se mostravam serenos, apesar da dor. 

Maria Eduarda, a mais velha, de vez em quando chorava muito, mas sem deixar de cuidar do irmão, seu afilhado. Todos eles gravaram um vídeo em homenagem ao pai no último domingo, quando Campos completou 49 anos. “Ela está firme como uma rocha”, resumiu o ex-secretário estadual de Imprensa de Campos, Evaldo Costa, amigo da família, ao falar sobre a postura de Renata diante da tragédia que se abateu sobre a família. 

Igreja. O arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, foi levar consolo à família. reforçou que Renata está “abalada, mas serena”. “Ela ainda está sem acreditar”, disse ele, que sugeriu a celebração de uma missa campal, em frente ao Palácio do Campo das Princesas, no centro de Recife, uma vez que muita gente deve pretender participar da homenagem ao ex-governador. Se chover, a missa poderá ser realizada na Igreja da Madre de Deus, no bairro do Recife Antigo. “Tudo vai depender da liberação do corpo, que deve demorar de dois a três dias”.

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