Miguel Schincariol/ AFP
Miguel Schincariol/ AFP

Após velório na Prefeitura e cortejo, corpo de Covas é enterrado em Santos

Cerimônia restrita a familiares e convidados pôde ser acompanhada online; sepultamento do prefeito ocorreu em sua cidade natal

Bruno Ribeiro e Paula Reverbel, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2021 | 12h25
Atualizado 16 de maio de 2021 | 23h09

O prefeito licenciado de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), morreu na manhã deste domingo, 16, após lutar por um ano e meio contra um câncer agressivo, descoberto já em metástase. O corpo foi velado por familiares e amigos mais próximos no saguão da Prefeitura, onde foi celebrada uma missa transmitida pela internet. De lá, seguiu em cortejo em carro aberto do Corpo dos Bombeiros por algumas das principais vias do centro, onde foi aplaudido pela população. Aos 41 anos, Covas foi enterrado em Santos, no mesmo jazigo onde seu avô, Mário Covas, foi sepultado há 20 anos.

O tucano estava internado no Hospital Sírio-Libanês desde o dia 2, quando se licenciou do cargo. A nota divulgada pela equipe médica informou que “Covas faleceu às 8h20 em decorrência de um câncer da transição esôfago gástrica, com metástase ao diagnóstico, e complicações após longo período de tratamento”. Na sexta-feira, os médicos já haviam divulgado um boletim afirmando que a situação era irreversível.

 

Na saída do velório, o governador João Doria (PSDB) afirmou que, ao saber de sua condição, Covas decidiu não ser intubado e “viver no seu tempo”, exatamente como fez o avô Mário Covas, há mais de 20 anos.

“Estive com ele na segunda. Ele estava consciente, sensível, sorriu várias vezes. Já tinha a compreensão de que a doença era irreversível e agiu exatamente como o avô quando tomou a decisão, indagado pelos médicos, em relação ao seu próprio destino. Disse aos médicos, especialmente ao doutor David Uip, que cuidou do seu avô: ‘Eu quero seguir o meu destino. Não quero máquinas, não quero superficialidade, não quero nada além da minha existência’. Só as pessoas de muita grandeza compreendem a direção da vida e da morte”, disse Doria.

De segunda até ontem, Covas ainda teve disposição para receber a visita de outros políticos, como o vice-governador, Rodrigo Garcia (recém-filiado ao PSDB), e o até então prefeito em exercício, Ricardo Nunes (MDB). Mesmo debilitado, os dois ainda conversavam sobre os principais problemas da cidade por telefone e mensagens de texto e áudio.

Evolução

Depois de passar quase um ano mais disposto, sem se submeter a sessões de quimioterapia e tendo saúde para disputar e vencer uma eleição, Covas foi diagnosticado com um novo tumor no fígado em fevereiro. Ainda voltou para o tratamento com quimioterapia, mas a doença evoluiu muito rapidamente e atingiu também os ossos.

Com dores e um quadro de anemia, o prefeito foi internado no início do mês e pediu afastamento. Informou a população por meio dos médicos e de suas redes sociais, espaço que usava para demonstrar otimismo e determinação em vencer a doença. Quase sempre estava acompanhado pelo filho Tomás, de 15 anos, com quem dividia um apartamento na zona oeste da cidade.

Muito abalado, o jovem ajudou a carregar o caixão com o corpo do pai até o carro dos Bombeiros. Foi consolado pelos avós, Pedro Mauro Lopes e Renata Covas Lopes – pais de Bruno –, pelo tio Gustavo (irmão mais novo) e pela mãe, Karen Ichiba, de quem Covas era divorciado. Amigos próximos, como o assessor Gustavo Pires, e o agora prefeito Ricardo Nunes, também acompanharam a cerimônia e seguiram em cortejo até Santos.

Nunes chegou à Prefeitura antes de a missa ter início, e aguardou pelo ato no segundo andar do prédio. Estava na companhia do marqueteiro Felipe Soutelo, responsável pela campanha vitoriosa de 2020, e amigo próximo de Covas.

Do lado de fora do Edifício Matarazzo, no centro da cidade, admiradores do tucano se posicionavam em frente ao prédio, mas o velório foi restrito a cerca de 20 pessoas, seguindo os protocolos sanitários.

Casa

O corpo de Bruno Covas chegou a Santos por volta das 17h30. Na entrada da cidade e ao longo de passarelas e viadutos que cruzam a Rodovia dos Imigrantes, apoiadores do prefeito se reuniram para homenageá-lo com faixas e bandeiras.

A rua de acesso ao Cemitério Paquetá foi bloqueada para o enterro, que foi fechado, sem a presença da imprensa. O prefeito foi sepultado no mesmo jazigo onde seu avô, Mário Covas, foi enterrado em 2001. Os restos mortais do ex-governador, porém, foram transferidos para um mausoléu no próprio cemitério, de acordo com a Prefeitura.

Nascido em Santos em 7 de abril de 1980, Bruno Covas Lopes mudou-se para a capital paulistana para terminar os estudos e se preparar para a faculdade. Morou com os avós Mário e Lila Covas no Palácio dos Bandeirantes e cursou duas faculdades – formou-se em Direito e Economia – até se iniciar na vida pública. De todas as eleições que disputou, perdeu apenas a primeira, em 2004, quando tentou ser vice-prefeito de sua cidade natal. / COLABOROU ADRIANA FERRAZ

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