Corpo de Bombeiros cancela concurso no Rio

Vinte e cinco mil candidatos a cabo e oficial do Corpo de Bombeiros tiveram a prova anulada hoje, no Estádio do Maracanã, em meio a protestos contra a organização do concurso, tumulto e confusão. O exame foi cancelado depois de a prova ter começado com duas horas e meia de atraso, antes ainda que cerca de 300 candidatos tivessem se acomodado. Revoltados, eles protestaram, deixaram o estádio e chegaram a fechar por duas vezes a Avenida Maracanã, na zona norte. A Polícia Militar interveio e houve confronto. Um manifestante foi detido.Dos 25 mil candidatos, 15 mil fariam o teste para 350 vagas de auxiliar de enfermagem. O restante concorria para outros 350 cargos em áreas médicas, como clínica geral, fonoaudiologia, psicologia. Com salários entre R$ 1.073 e R$ 2.500, os aprovados farão parte do programa Saúde na Escola, do governo do Estado. A confusão começou envolvendo candidatos para auxiliar de enfermagem.A organização do concurso havia separado 700 lugares no setor 20 das arquibancadas para aqueles que estivessem sem documentos de identidade ou cartão de confirmação. "O problema é que apareceram mil candidatos sem documentação", afirmou o diretor de Ensino e Instrução, tenente-coronel Carlos Alberto de Carvalho. O diretor permitiu que eles fizessem o exame, mesmo sem comprovar que eram realmente os inscritos. "Iríamos confrontar as assinaturas na lista de presença daqueles que estavam sem documentos", explicou.As provas começaram a ser distribuídas com duas horas de atraso e Carvalho acabou autorizando o início do concurso antes que todos estivessem acomodados. "De onde eu estava não podia ver que havia candidatos que ainda não estavam com as provas nas mãos", afirmou.Houve um princípio de tumulto. Outros candidatos aproveitaram a confusão e "colaram" na prova. Alguns se comunicaram por telefones celulares. "Foi uma completa desorganização, as pessoas até trocaram de provas", disse Iagnes José de Santa Ana, de 31 anos.Outros candidatos queixaram-se de que o cartão de confirmação não foi entregue a tempo. Essas pessoas teriam de fazer a prova, usando um cartão de respostas sem identificação. Um carimbo do Corpo de Bombeiros dava autenticidade ao documento. Foi o caso de Gisele Carvalho. "Escrevi meu nome à caneta", disse. Já Rosane Roberto da Silva Coelho, de 27 anos, nem isso recebeu. "Só me entregaram a prova. Onde eu marcaria as respostas?", indagou.Diante da confusão, Carvalho decidiu anular a prova. Os candidatos deixaram o Maracanã e interromperam o trânsito para protestar contra a desorganização do concurso. Houve confronto com a Polícia Militar, que tentava desobstruir a Avenida Maracanã. O auxiliar de enfermagem Carlos Eduardo de Souza, de 24 anos, disse ter sido agredido por um policial de nome Jeferson. "Ele me deu uma gravata no pescoço e tentou me colocar no camburão, mas meu amigo impediu", disse. O candidato identificado como Guto teria sido detido. A 17ª Delegacia de Polícia (São Cristóvão) não divulgou o nome do manifestante.O tenente-coronel Carvalho disse que a corporação decidiu cancelar a terceirização da organização dos concursos por economia. No ano passado, foi pago R$ 1,6 milhão ao Núcleo de Computação Eletrônica (NCE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, responsável pela prova. Carvalho não soube calcular o prejuízo que a preparação de novo exame vai representar.

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