Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Corpo a corpo com senadores e 'anti-Renan': a estratégia de Alcolumbre para presidir Senado

Apoio do ministro da Casa Civil e definição de Renan Calheiros como principal adversário foram decisivos para vitória

Lígia Formenti, Renan Truffi e Mariana Haubert, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2019 | 21h16

BRASÍLIA - Davi Alcolumbre (DEM-AP) foi incansável na construção de sua candidatura vitoriosa à presidência do Senado. Desde novembro, trabalhava para angariar simpatia e confiança entre seus pares. Diferentemente do de seu colega de partido Rodrigo Maia (DEM-RJ),  que na disputa da Câmara mirou em blocos de apoio, o senador adotou a estratégia corpo a corpo.

Para fazer isso, foi a todos os Estados conversar pessoalmente com colegas e potenciais eleitores. Aos poucos, foi quebrando, ainda que timidamente, a resistência por ser considerado "bonachão".

O entusiasmo do atual presidente do Senado não foi à toa. Desde o início, ele identificou um sentimento contrário a Renan Calheiros (MDB-AL), um ponto que decidiu investir. Um senador que participou ativamente da campanha conta que a estratégia foi "dizer em tudo o que é ouvido dos senadores de primeiro mandato" que se Renan vencesse eles não teriam espaço na Casa, seja no comando das comissões temáticas, nas relatorias dos projetos ou, até mesmo, na partilha de cargos. 

Davi Alcolumbre é eleito presidente do Senado com 42 votos 

Mas nada disso seria possível se não tivesse as bençãos e o apoio do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. A parceria entre Davi e Onyx não vem apenas na busca de votos. A mulher do ministro, Denise Veberling, trabalha no gabinete do agora presidente do Senado.

Além do apoio do ministro, outro fator foi decisivo para a vitória de ontem: a definição de seu adversário. Na véspera da eleição, quando o MDB optou por indicar para a disputa o senador alagoano, descontentes com a escolha começaram a trabalhar pelo fortalecimento de um nome capaz de derrubá-lo. Ganhou corpo então um movimento anti-Renan, liderado por nomes como Simone Tebet (MDB-MS), Alvaro Dias (Podemos-PR), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Major Olímpio (PSL-SP). Todos eram candidatos e abriram mão da candidatura - como Davi havia previsto. 

Assim como na eleição presidencial, em que Bolsonaro escolheu o PT como principal adversário, era fundamental para Alcolumbre que Renan disputasse a eleição. O que lhe garantiria ser o candidato anti-Renan.  

Ainda antes da declaração da vitória, senadores apontaram outro ponto determinante para o sucesso do senador do Amapá. Mais do que um  movimento anti-Renan, haveria um cansaço com a longa permanência do MDB no comando dos trabalhos do Senado. O cenário de renovação política também contribuiu. Das 54 cadeiras que foram disputadas nas eleições de 2018, apenas 8 ficaram com senadores que concorriam à reeleição. Os grandes caciques do Senado caíram e novos nomes dispostos a ganhar um lugar de destaque ajudaram a formar a base para um nome novo.

Embora possa parecer uma surpresa, esta não é a primeira derrota de Davi sobre Renan. No ano passado, na disputa pela presidência da Comissão de Meio Ambiente, o candidato do senador alagoano era o então correligionário Hélio José, hoje no PROS. Percebendo o cenário de derrota, Renan pediu que Hélio desistisse da candidatura. Estratégia semelhante a que adotou ontem. Mas, desta vez, ele próprio foi o candidato.

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