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Com apoio de megaempresários, grupos de renovação política pedem doações contra o coronavírus

Grupos desenvolvem ação conjunta com o objetivo de minimizar efeitos da pandemia para pessoas em vulnerabilidade social em São Paulo

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2020 | 23h00

Em expansão nos últimos anos na busca de espaço e influência na política, movimentos de renovação como o RenovaBR, Acredito e Agora! têm atuado conjuntamente no “UniãoSP contra o coronavírus”. A ação de solidariedade da sociedade civil, com a participação de megaempresários, já arrecadou em duas semanas mais de R$ 13 milhões em doações pela internet.

O movimento sem vínculos partidários tem a intenção de minimizar os efeitos da crise para pessoas em vulnerabilidade social no Estado. A cifra já arrecadada foi impulsionada por grandes doações de empresas como a XP Investimentos, que desembolsou R$ 500 mil, e o grupo JHSF, dos hotéis e restaurantes Fasano e de shoppings como o Cidade Jardim, que doou R$ 100 mil.

Membros da iniciativa defendem que, depois da crise, setor privado e setor público estejam mais próximos, com empresas e governo atuando para reconstruir o País. “Em momentos como este, setor privado e público precisam se unir”, diz Eduardo Mufarej, criador do RenovaBR, um dos porta-vozes do UniãoSP. “Vírus não se importa com ideologias. É nosso papel, depois de tudo que isto passar, lutar para manter esta relação de apoio mútuo entre pessoas, empresas e poder público”.

Moradores de quinze comunidades em São Paulo já receberam cerca de 43 mil cestas básicas e o movimento informa que distribuirá mais 51 mil nesta semana. O movimento repassa o valor arrecadado a órgãos públicos e do Terceiro Setor, que, então, fazem a entrega para a população. Já receberam recursos órgãos como o Fundo Social do Estado de São Paulo, o Fundo Social de Mauá, de São Bernardo do Campo, e a Prefeitura de São Paulo.

Todas as organizações que atuam no movimento trabalham voluntariamente. Além dos grupos de renovação, participam entidades e empresas como a Península, do empresário Abílio Diniz, o grupo JHSF, a Central Única das Favelas, o Grupo Tellus e o Educafro. A gestão financeira está sob a responsabilidade do RenovaBR, que informa não ter nenhuma margem de retenção.

Co-fundador do movimento Acredito, Zé Fred afirma que a pandemia do coronavírus é o maior problema da atual geração. “Será como um pós-guerra. Um dos aprendizados é a relação setor público e sociedade. Grandes problemas públicos só são resolvidos quando governo e sociedade se juntam.” Para Leandro Machado, do movimento Agora!, a união contra o coronavírus deve aproximar o poder público da sociedade. “A expectativa é essa integração entre o poder público, setor privado e sociedade prospere cada vez mais.”

A distribuição é acompanhada pelo UniãoSP por meio de um sistema remoto de georreferenciamento. É uma forma de mapear as entregas e evitar fraudes. Tudo é feito por meio de aplicativo. No site da iniciativa, é possível doar de uma cesta básica (R$ 60) até a 200 (R$ 12 mil). Pouco mais de 2,6 mil doações já foram registradas, feitas por pessoas físicas e jurídicas.  A meta do movimento é juntar o equivalente a 120 mil cestas em três meses. “Estamos passando por um momento muito grave de nossa história. A solidariedade e o cuidado com o outro é a única forma de enfrentarmos o medo e a desesperança e superarmos tudo construindo um futuro melhor”, diz Ana Maria Diniz, da Península Participações. 

Celebridades do mundo do esporte, como Neymar e Gabriel Medina, e influenciadores digitais como Nathália Arcuri gravaram vídeos incentivando doações. O apresentador Luciano Huck, ligado aos movimentos de renovação e apontado como possível candidato a presidente em 2022, também é “garoto propaganda” da iniciativa.

 

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