Coro ensaiado saúda Dilma em evento no Rio

Prefeito treina com plateia antes da chegada da petista à cerimônia de entrega de casas

Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2015 | 02h01

MARICÁ - A presidente Dilma Rousseff teve uma trégua dos ataques políticos e foi recebida com coro de apoio em Maricá, na região metropolitana do Rio, onde os futuros moradores de quase três mil unidades do Minha Casa Minha Vida receberam suas chaves em cerimônia na manhã de ontem. O evento teve ainda discursos exaltados, alguns deslizes e a garantia da presidente de que o programa habitacional não vai acabar.

Dilma foi recebida com gritos de "olé olé olé olá, Dilma", conforme ensaiado pelo prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), com a plateia minutos antes da chegada da presidente. Muitos empunhavam bandeiras com dizeres "Obrigado Dilma pelo fim do déficit habitacional", um ambiente propício à "agenda positiva" que o governo pretende tirar do papel para melhorar a popularidade da presidente.

Após entregar as chaves pessoalmente a seis famílias, Dilma assegurou que o Minha Casa Minha Vida vai continuar e que o objetivo do governo é distribuir sete milhões de unidades até 2018. "Não há hipótese de Minha Casa Minha Vida não continuar. Nós vamos fazer, sim, o Minha Casa Minha Vida 3."

A presidente chegou às 11h25 ao residencial Carlos Marighella, onde ocorreu a cerimônia. Visitou uma das 1.472 casas, acompanhada pelo ministro das Cidades, Gilberto Kassab, pelo governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), pela presidente da Caixa, Miriam Belchior, e pelo prefeito Quaquá. O outro residencial foi batizado de Carlos Alberto Soares de Freitas, com 1.460 unidades. Ambos receberam nomes de guerrilheiros de esquerda que atuaram contra a ditadura militar.

Dilma se disse emocionada ao descerrar a placa dos dois conjuntos habitacionais, principalmente porque Freitas foi seu amigo. "Carlos Alberto foi um irmão que tive durante a minha juventude. Nós lutamos juntos, nós queríamos um país mais democrático. Um país em que as pessoas tivessem voz, tivessem vez e, sobretudo, tivessem sua casa própria", afirmou. "Mais do que honrada, me sinto emocionada. Estar aqui toca lá no fundo do meu coração."

Deslize. A presidente ainda saudou Pezão, quem classificou como "uma das grandes lideranças deste país". O governador do Rio é um dos que partem em defesa da "governabilidade" de Dilma. Também ouviu de Quaquá que ela honrava a tradição da esquerda brasileira. O prefeito até se atrapalhou e a chamou uma vez de "presidenta Lula". Outro deslize veio de Kassab, que se referiu aos moradores de "Miracá".

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