'Copo está meio cheio, com viés de alta', diz Dilma sobre cenário econômico

Declaração serviu como resposta às críticas feitas à condução da política econômica e à reação do Palácio do Planalto aos protestos que tomaram as ruas

Rafael Moraes Moura, enviado especial / Porto Alegre, O Estado de S. Paulo

12 de outubro de 2013 | 19h05

 Ao fazer um balanço dos pactos propostos como resposta às manifestações de junho e comentar o quadro econômico nacional, a presidente Dilma Rousseff disse ontem que o "copo está meio cheio, com viés de alta". A declaração serviu como resposta às críticas feitas à condução da política econômica e à reação do Palácio do Planalto aos protestos que tomaram as ruas do País.

 

Dilma participou de cerimônia na Assembleia do Rio Grande do Sul para anunciar investimentos em mobilidade urbana em Porto Alegre e entregar máquinas agrícolas a municípios gaúchos. Os investimentos no metrô envolveram uma difícil negociação nos bastidores entre o governo federal, estadual e municipal que quase levaram à não realização do evento.

 

"Há esse avanço em mobilidade (urbana) concretamente, prefeitos se mobilizaram, isso é algo que eu acho fundamental que seja reconhecido politicamente, que possamos ter essa atitude mais pró-ativa, porque na discussão do copo meio cheio, meio vazio, tem ganhado muito o copo meio vazio", discursou Dilma. "Vamos tentar dar um pouquinho de vitória para o copo meio cheio, porque, caso contrário, ele não enche nunca."

 

A elaboração de um plano de mobilidade urbana, a destinação de royalties do petróleo para educação e a importação de médicos exterior foram algumas das propostas da presidente para "ouvir a voz das ruas". Dilma também defendeu a realização de uma reforma política, que enfrentou resistências no Congresso Nacional e dentro da própria base aliada.

 

"Eu acho muito importante o fato do Brasil ser um dos poucos países em que manifestações não foram demonizadas e colocadas como um inimigo público n º1. Temos escutado a voz das ruas", disse. "O Brasil cresceu aceleradamente nos últimos anos. As pessoas pedem serviços públicos de qualidade. Elas não querem voltar ao passado, querem avançar para o futuro. Toda conquista sempre tem de exigir uma nova conquista."

 

Ao falar dos efeitos da crise financeira mundial, Dilma reiterou que a inflação está sob controle e que o País vive uma grande estabilidade macroeconômica. "Estamos honrando o pacto pela estabilidade. Continuamos com US$ 378 bilhões de reservas. Se você olhar nossa taxa de desemprego, é uma das menores do mundo. Estamos enfrentando a pior crise desde 1929, tanto pela profundidade e permanência. Estamos saindo disso com o desemprego numa situação bastante confortável", afirmou. "O copo está meio cheio, com viés de alta", disse, interrompida por aplausos.

 

A presidente voltou a dizer que, durante décadas passadas, o Brasil não investiu em mobilidade urbana porque se achava que metrô "era coisa de país rico".  "Durante 30, 40 anos, (nosso país) não investiu em mobilidade urbana de forma adequada, necessária e sistemática, porque havia no Brasil determinadas concepções que considerava que metrô era coisa de País rico. Como não éramos país rico, não podíamos investir em metrô, devíamos investir em corredor de ônibus e só", afirmou. "Esse é o complexo de vira-lata, você nunca acha que vai ganhar, que o País precisa de mais."

 

Ao lado de dois aliados - o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), e o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT) -, Dilma disse que é preciso fazer projetos "para além das diferenças partidárias e que sejam aqueles que beneficiam as cidades."

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