Copa não altera cenário presidencial, mostra Ibope

A primeira pesquisa Ibope feita após o início da Copa do Mundo revela um quadro estável na corrida eleitoral. Alvo de xingamentos no jogo de estreia da seleção brasileira, a presidente Dilma Rousseff (PT) tem 39% das intenções de voto, contra 21% para Aécio Neves (PSDB) e 10% para Eduardo Campos (PSB).

DANIEL BRAMATTI / SÃO PAULO, ANNE WARTH, RICARDO BRITO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 Junho 2014 | 02h01

A pesquisa, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), foi feita entre 13 e 15 de junho, ou seja, capturou as impressões dos eleitores entre o segundo e o quarto dia da Copa. Nesse período, o noticiário político foi tomado pela repercussão do coro de ofensas dirigidas a Dilma na inauguração do evento.

Em relação à pesquisa feita pelo Ibope na semana anterior à da Copa, Dilma oscilou um ponto porcentual para cima, e Aécio, um ponto para baixo. Campos, por sua vez, caiu de 13% para 10%.

Confronto direto. Há um empate técnico entre a intenção de voto em Dilma (39%) e a soma das intenções de voto dos adversários (40%). Para vencer no primeiro turno, a presidente precisará de maioria absoluta de votos - um cenário improvável, dado o desgaste de seu governo.

Outro fator que aponta para o segundo turno é o grande número de candidatos - o Ibope listou 11 nomes aos entrevistados. Entre os "nanicos", o principal é o Pastor Everaldo, com 3% das intenções de voto. Magno Malta (PR) tem 2% e José Maria (PSTU), 1%. Os demais, somados, têm 3%.

Em um eventual segundo turno, Dilma segue favorita. Sua situação até melhorou um pouco em relação à pesquisa anterior. Se o confronto fosse com Aécio, o placar passaria de 42% a 33% para 43% a 30%. Contra Campos, a petista venceria por 43% a 27% - na semana anterior, as taxas dessa hipótese eram de 41% a 30%, respectivamente.

Houve apenas oscilações dentro da margem de erro - de dois pontos porcentuais para mais ou para menos - na avaliação do governo. Para 31%, a gestão de Dilma é boa ou ótima. Para 33%, é ruim ou péssima. E 34% veem a administração como regular.

Quando concorreu a presidente em 2010, Dilma também tinha 39% das intenções de voto a cerca de quatro meses das eleições. Mas há diferenças: ela estava em ascensão e representava um governo - o do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva - aprovado por 76% da população e considerado ruim ou péssimo por apenas 4%.

Geografia do voto. A pesquisa CNI/Ibope mostra que Aécio só está à frente de Dilma na parcela do eleitorado com renda familiar superior a 10 salários mínimos. Nesse segmento, o tucano tem 36%, contra 24% da petista e 16% de Eduardo Campos. Nas demais faixas, a vantagem de Dilma varia de 52%, para quem ganha até 1 salário mínimo, até 39%, entre os que recebem entre 5 e 10 salários mínimos.

Na divisão do eleitorado por escolaridade, o candidato do PSDB também venceria Dilma entre os que têm curso superior: 29% contra 26%. Na outra ponta, entre aqueles que possuem até a 4.ª série do ensino fundamental, a presidente lidera com 49% das preferências.

O melhor desempenho regional de Dilma se dá no Nordeste, onde lidera por 52%, contra 13% de Campos, que foi governador de Pernambuco, e 8% de Aécio.

O Sudeste é o principal reduto do tucano, ex-governador e hoje senador por Minas Gerais, mas ainda assim ele aparece atrás da presidente na região (34% a 25%). No Sul, o cenário é de 30% para Dilma, 26% para Aécio e 11% para Campos.

Na pesquisa espontânea, modalidade em que o entrevistado manifesta sua preferência antes de ver a cartela com os nomes dos candidatos, Dilma tem 25%, Aécio, 11%, e Campos, 4%. Mais uma vez, a petista colhe seus melhores resultados no Nordeste, com 33%. No Sul, Dilma tem apenas 10%.

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