'Copa no Brasil vai ser uma festa', afirma Dilma em BH

A presidente participou de inauguração de obras de segurança e mobilidade na cidade do seu principal rival nas eleições, o senador tucano Aécio Neves

Suzana Inhestra e Beatriz Bulla, Agência Estado

08 Junho 2014 | 13h10

A quatro dias da abertura da Copa do Mundo no Brasil, a presidente Dilma Rousseff afirmou neste domingo, 8, ter certeza de que o evento vai ser "uma festa". Ela foi a Belo Horizonte para inaugurar obras de mobilidade urbana.

"É fundamental que as pessoas tenham direito a usufruir dessa grande festa que começa nessa semana", disse a presidente. Em Minas Gerais, terra do tucano Aécio Neves, um de seus maiores adversários nas eleições presidenciais deste ano, a presidente criticou a falta de investimentos em mobilidade no passado e defendeu as obras realizadas pelo governo do PT para este evento.

A presidente voltou a afirmar que as obras para a Copa vão beneficiar os brasileiros. "Quando o turista for embora dessa cidade, não vai levar na mala nem estádio nem as obras do BRT", disse a presidente. Ele inaugurou o Centro de Controle Operacional de Tráfego na capital mineira. 

Segundo Dilma, o mundial de futebol teve a função apenas de acelerar as obras. "Mesmo considerando que aqui ou perto do Mineirão vai haver grande melhoria na mobilidade, as obras não foram feitas para o uso exclusivo na Copa", completou Dilma, dizendo que as benfeitorias vão ficar de "legado" para o população.

A presidente aproveitou para pedir uma recepção "calorosa, humana e respeitosa" aos turistas. "O Brasil foi o único País que participou das 20 Copas. Em todas as vezes, em todos os países quando visitamos, fomos muito bem recebidos", disse. "Tenho certeza que vamos mostrar um evento de alegria, de força e de civilidade no Brasil." 

Críticas. Após visitar os corredores do BRT da cidade, durante a inauguração do Centro de Controle Operacional de Tráfego, a presidente disse que "no passado" o Brasil não teve investimentos do governo federal em mobilidade urbana. "O governo federal tomou a decisão, e considero uma decisão histórica, de passar a investir em parceria com as prefeituras, que são responsáveis pelo transporte de massas", disse, destacando a carteira de R$ 143 bilhões de obras de mobilidade do governo federal em apoio às prefeituras.

"Essas obras constituem algo que faltava no Brasil, que era a presença do governo federal", completou. Dilma classificou a questão da mobilidade como "um dos grandes problemas" da população brasileira hoje.

A presidente destacou que a responsabilidade pela conclusão das obras anunciadas em Minas Gerais, como extensão de linhas de metrô, é do governo estadual. "Espero que tenhamos nessa parceria uma conclusão rápida dos projetos que estão sob a responsabilidade do governo do Estado, para que as obras do metrô possam ser concluídas com rapidez." 

Dilma aproveitou também para mostrar sua ligação com Belo Horizonte, onde viveu. "Eu comecei a fazer política comunitária no Morro do Papagaio, que naquela época já era um dos grandes bairros populares, um grande número de moradias irregulares e precárias", destacou.

O prefeito de Belo Horizonte (MG), Marcio Lacerda (PSB), disse que a escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo de Futebol serviu para que os projetos de obras e melhorias tanto da capital mineira, que é uma das sedes do evento, quanto em outras capitais-sede no País, fossem adiantados, acelerados.

"Serão benefícios permanentes para nossos moradores", enfatizou, reforçando que Belo Horizonte foi a primeira capital-sede que assinou as matrizes de responsabilidades para a Copa, em janeiro de 2010, para garantir os recursos federais para as obras e ações necessárias para recepcionar o evento.

Segundo ele, o Centro de Operações da Prefeitura (COP-BH) é um espaço de integração da iniciativa de diversos setores do País, incluindo a esfera municipal, estadual e federal.

O complexo recebeu investimentos de R$ 31,6 milhões para obras de modernização, sendo R$ 30 milhões em financiamento público com juros subsidiados.

O Centro fará o monitoramento, em tempo real, de vários serviços. As câmeras estão integradas aos órgãos municipais como Samu, guarda municipal, empresa de transporte público, defesa civil, limpeza urbana, entre outros. 

Dilma participou da inauguração ao lado do prefeito da capital mineira, Marcio Lacerda (PSB), do ministro das Cidades, Gilberto Magalhães Occhi, e de outras autoridade. Ela visitou os corredores do BRT (Bus Rapid Transit)da cidade. O BRT de BH custou R$ 730,47 milhões, sendo R$ 382,30 milhões de financiamento federal por meio do Programa Pró-Transporte. 

O BRT Antônio Carlos/Pedro I tem 14,7 quilômetros de extensão, com 25 estações de transferência e dois terminais de integração. Ao longo da Avenida Antônio Carlos, o BRT está concluído e operando desde o final de maio. Já o trecho da Avenida Pedro I até o Terminal Vilarinho está em fase de conclusão. Com a obra pronta, a estimativa é que o BRT terá capacidade para transportar cerca de 400 mil passageiros/dia, com previsão de reduzir em 47% o tempo de viagem entre seus extremos.

The Guardian. A presidente Dilma Rousseff assina um artigo na edição deste domingo do jornal britânico "The Guardian" em que dá as boas-vindas aos torcedores estrangeiros que acompanharão a Copa do Mundo no Brasil. No texto, Dilma diz que o País vive harmoniosamente com as manifestações e que os protestos populares ajudam a melhorar as instituições democráticas.

"Estamos agora em uma democracia vibrante, apesar de termos vivido sob uma ditadura algumas décadas atrás. Nós desfrutamos de total liberdade e convivemos harmoniosamente com as demonstrações e demandas populares, o que nos ajuda a melhorar e aperfeiçoar nossas instituições democráticas", diz Dilma.

"Organizar a Copa do Mundo é uma fonte de orgulho para os brasileiros. Dentro e fora do campo, estamos unidos e empenhados em proporcionar um grande espetáculo. Durante um mês, os visitantes que chegarem ao nosso País vão descobrir que o Brasil tornou-se uma madura e próspera democracia", diz o artigo.

 "Ao longo dos últimos 12 anos, temos avançado em um dos projetos mais bem sucedidos do mundo para aumentar a distribuição de renda, os níveis de emprego e de inclusão social". A presidente Dilma destaca que a sociedade brasileira conseguiu "reduzir maciçamente a desigualdade ao trazer 42 milhões de brasileiros para a classe média e ao retirar 36 milhões da pobreza extrema em uma década".

Dilma destaca que estrangeiros poderão conhecer a diversidade cultural e as belezas naturais que envolvem as 12 cidades que sediarão os jogos. "Somos um País de música, de beleza natural, da diversidade cultural, de harmonia étnica e religiosa, de respeito ao meio ambiente".

O artigo também diz que o futebol é uma forma de celebrar a vida para os brasileiros. "É verdade que o futebol nasceu na Inglaterra, mas nós gostamos de pensar que foi no Brasil que ele fez a sua casa. Então, quando a Copa do Mundo volta ao Brasil depois de 64 anos, parece que o futebol volta para casa", diz a presidente brasileira. Colaborou Fernando Nakagawa, correspondente em Londres.

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