Coordenadores digitais de Dilma e Serra questionam limites da lei eleitoral para a internet

"Estamos aprendendo. Se somos multados e reincidimos, passamos uma mensagem errada para o eleitor", afirmou estrategista tucano

Rodrigo Alvares, do estadão.com.br/ SÃO PAULO

17 de junho de 2010 | 18h02

Os limites da legislação eleitoral brasileira a internet foram questionados pelos coordenadores das campanhas digitais de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) - Marcelo Branco e Sérgio Caruzo, respectivamente - na tarde desta quinta-feira, 17, durante evento de tecnologia, em São Paulo. "Estamos aprendendo quais são os limites", disse Caruzo. "Se nós somos multados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e reincidimos, passamos uma mensagem errada para o eleitor". Para Branco, a possibilidade de a internet fazer parte do debate político é salutar: "Ela qualifica a democracia e pode interferir nos rumos da campanha", afirmou. Mas alertou que se deve evitar usá-la como uma "máquina de destruir reputações".  

 

As duas campanhas têm travado uma batalha juridica na web. O Ministério Público Eleitoral (MPE) apresentou mais uma ação cautelar no TSE nesta quina-feira pedindo para que a Google Brasil Internet retire do ar sítio hospedado pela empresa que promove propaganda eleitoral antecipada em favor da pré-candidata à presidência da República Dilma Rousseff. Desta vez, o blog questionado é o amigosdopresientelula.blogspot.com. Na última quarta-feira, o MPE ajuizou ação contra a Google Brasil sob a alegação de que no site "euqueroserra.blogspot.com" sob a alegação de que no sítio da internet "euqueroserra.blogspot.com" há propaganda eleitoral antecipada em favor de Serra. Na ação, o MPE alega que no blog aparece a imagem de José Serra com os dizeres "Quero José Serra Presidente 45: Campanha online".

 

Para os dois, a internet tem tanta chance de estragar uma campanha eleitoral como qualquer outro meio de comunicação. Caruzo disse é um mito a história da eleição do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que utilizou diversas estratégias de comunicação via web, especialmente em redes sociais. "É uma falácia achar que o Obama foi eleito por causa da internet. Ele foi eleito por causa do Obama. Isso é parte de uma comunicação maior", disse.

 

Os estrategistas discordaram a respeito do peso que as redes sociais terão na eleição presidencial: "Essa não é a eleição da internet, isso é uma falácia. Ela faz parte da vida das pessoas, mas a briga pelo voto acontece na rua, na vida real", afirmou Caruzo, que mencionou a ação do MPE: "Enquanto algumas campanhas têm usado militantes para fazer propaganda na internet, neste caso o blog é feto porum garoto de 16 anos. Precisamos definir o limite do indivíduo", declarou.

 

Já para Branco, "as redes sociais motivam os militantes a se manifestar de multimídia". De acordo com ele, a campanha de Dilma Rousseff vê nelas a possibilidade de enriquecer o debate político fora da internet web "até porque muitas das realizações do governo Lula, que tem 76% de aprovação, não puderam ser mostradas".

 

Apesar de os dois não saberem quanto é gasto mensalmente para manter as campanhas digitais, Branco e Caruzo aproveitaram para trocar alfinetadas: "Não existe verba pública envolvendo o Serra, diferente de outras candidaturas", falou o coordenador tucano. Branco respondeu que "o governo Lula não pode ser acusado de usar verbas públicas". Deu o exemplo do quanto é gasto em publicidade na imprensa brasileira, mesmo os veículos que seriam "do contra". "Não é possível o PT continuar culpando a imprensa por tudo", replicou Caruzo.

 

Na última quarta-feira, o TSE definiu que os debates entre candidatos na internet e em jornais impressos é livre. A maioria dos ministros afirmou que os portais e jornais impressos poderão realizar debates com candidatos em qualquer época, transmiti-los ao vivo, em áudio e vídeo, sem ter a obrigatoriedade de convidar todos os candidatos que disputam cargos.

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou no ano passado a reforma da lei eleitoral aprovada pelo Congresso com veto a três dispositivos, entre eles a polêmica medida que previa a aplicação das mesmas regras do debate eleitoral em rádio e televisão à internet. O governo justificou o veto por considerar que a internet é território livre para expressão. No caso de emissoras de rádio e TV, como se trata de concessão do Estado, é preciso regulação.

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