Coordenador financeiro de Serra nega falta de recursos

O coordenador financeiro da campanha de José Serra (PSDB) à Presidência da República, José Henrique Reis Lobo, negou que existam problemas de arrecadação para o candidato e disse que o engenheiro Paulo Vieira de Souza não tinha autorização para angariar recursos para o partido. A edição da revista IstoÉ desta semana traz matéria em que cita dirigentes tucanos, como o ex-ministro Eduardo Jorge, vice-presidente nacional do PSDB, acusando Souza de arrecadar cerca de R$ 4 milhões junto a grandes empreiteiras para as campanhas eleitorais de 2010. Ex-diretor da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), estatal paulista responsável pelo Rodoanel e outras obras bilionárias, o engenheiro teria fácil acesso a essas empresas. Segundo a denúncia da revista, os recursos não chegaram ao caixa da campanha presidencial de José Serra.

ANA CONCEIÇÃO, Agência Estado

14 de agosto de 2010 | 16h00

"Não li a matéria, mas asseguro que essa pessoa não estava autorizada nem credenciada para fazer qualquer tipo de arrecadação para a campanha de José Serra", disse Reis Lobo à Agência Estado. Segundo a IstoÉ, essa coleta de dinheiro "à revelia" da cúpula do partido teria sido descoberta durante uma reunião no dia 2 de agosto, quando o comitê financeiro da campanha contabilizou um volume bem menor do que o esperado, de R$ 3,6 milhões, segundo a revista. O partido, então, teria feito uma checagem junto a várias empresas. No final, teria concluído que R$ 4 milhões foram coletados, mas não repassados aos cofres do PSDB, afirma a IstoÉ. Reis Lobo não confirma que tenha havido checagem para comprovar tal arrecadação. "Como coordenador financeiro, eu participei da reunião e posso garantir que esse assunto não foi discutido. Nos limitamos a avaliar a entrada de recursos. Só tomamos conhecimento do assunto (que haveria alguém arrecadando em nome do PSDB) posteriormente."

Ele diz que a entrada de dinheiro tem sido "normal". "Há muita especulação sobre o assunto, mas a entrada de recursos está ocorrendo normalmente. O que arrecadamos até agora é suficiente para cumprirmos nossos compromissos", disse o coordenador à AE. Segundo a IstoÉ, um ex-secretário do governo paulista com lugar estratégico na campanha de Serra teria afirmado que "o dinheiro está fazendo falta nas campanhas regionais."

Na matéria, tucanos expressam preocupação de que o episódio arranhe a credibilidade do partido e afaste eventuais doadores. "Não temos razão para nos preocupar", diz Reis Lobo. Ele admite, contudo, que o PSDB tem arrecadado menos recursos que o concorrente PT, da candidata Dilma Rousseff. "Como estão no governo, eles têm muito mais possibilidade de arrecadação que o PSDB", justifica. A campanha de Dilma teria conseguido três vezes mais dinheiro que a de Serra, segundo a IstoÉ. O coordenador financeiro dos tucanos argumenta que as "campanhas do PSDB sempre foram muito mais modestas que as do PT". "Mas neste ano isso está acontecendo de maneira muito mais acentuada", acrescenta.

Indagado se o PSDB abriria uma investigação para saber o que ocorreu, Reis Lobo disse que o partido não tem o que fazer, já que Paulo de Souza não pertence aos quadros da legenda. "Não examinei a questão judicialmente, mas não podemos nos responsabilizar por uma pessoa que não tem as credenciais para fazer o que fez", diz. Como o dinheiro não tem origem declarada, o partido não tem como mover um processo judicial. Ouvido pela IstoÉ, Paulo Vieira de Souza negou ter arrecadado recursos para o partido.

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