Coordenador do PT prevê 'grande derrota' de Serra nas eleições

Marco Aurélio Garcia disse, nos bastidores do debate da TV Record, que não vai ser ruim para a oposição se pleito terminar já no 1º turno

Wilson Tosta, de O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2010 | 16h09

RIO - O comando da campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência acompanha com expectativa a movimentação da direção do PSDB e aliados em relação a uma eventual vitória petista que encerre a corrida pelo Palácio do Planalto no próximo domingo. "Vai ser uma derrota grande (dos tucanos e demistas)", previu o coordenador de programa de governo dilmista, Marco Aurélio Garcia, enquanto esperava o início do debate de presidenciáveis no RecNov, o complexo televisivo mantido pela Rede Record na zona oeste do Rio de Janeiro, na noite do último domingo. "Vamos ver como vão digerir."

 

Os petistas trabalham com um cenário em que Dilma encerra a disputa em 3 de outubro, obtendo mais de 50% dos votos válidos (excluindo brancos e nulos). Segundo apurou o Estado, pesquisas qualitativas feitas pela campanha de Dilma indicam que Dilma tem sempre avaliações positivas de, pelo menos, pouco mais da metade dos participantes. Os trackings (acompanhamentos diários) também indicam grau alto de consolidação do voto em Dilma, redução dos indecisos e crescimento de Marina Silva (PV) em velocidade baixa - insuficiente para chegar ao próximo domingo em posição de forçar um segundo turno.

 

"Não vai ser ruim para a oposição apenas se a disputa pela Presidência acabar no primeiro turno", disse Marco Aurélio. "Os resultados para Câmara, Senado e governos não serão bons para o PSDB."

 

Uma das possibilidades examinadas pelo PT, segundo apurou o Estado, é que uma derrota tucana no primeiro turno, em lugar de trazer descompressão ao ambiente político, acirre o clima de confronto. Nessa hipótese - que se torna mais forte se houver segundo turno na eleição para governador de São Paulo, que os tucanos têm como território seu desde 1995 -, Serra poderia reafirmar seu papel oposicionista e disparar mais duramente contra a participação de Lula na campanha. Um movimento assim também teria como objetivo fechar o espaço para Aécio Neves tentar construir outra vertente de oposição, mais amena.

 

Petistas e seus aliados receberam com alívio o noticiário do fim de semana, sem denúncias graves e novas contra o governo federal. Também houve alguma satisfação com o debate da Record, no qual o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, evitou o confronto mais direto com Dilma. Apesar das negativas posteriores de Serra - ele alegou que as regras impediram que desafiasse a petista -, a estratégia ficou clara quando, escalado para fazer a primeira pergunta do debate, o tucano escolheu não Dilma, mas Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), a quem dirigiu pergunta sobre política externa.

 

Outra oposição. Os petistas também estão atentos ao crescimento de Marina Silva (PV) neste fim de campanha. Embora não creiam que a candidata verde possa ser vitoriosa ou provocar um segundo turno, reconhecem que, dependendo da votação que obtiver, a senadora pelo Acre pode tentar criar um outro polo oposicionista, diferente do eixo PSDB-DEM-PPS. Garcia comparou a situação à trajetória do próprio PT, que se construiu perdendo eleições.

 

"Se Marina crescer (os verdes) vão tentar capitalizar isso", disse. "Nós, do PT, capitalizamos quando perdemos, nas nossas derrotas fomos crescendo, apesar de, às vezes, termos saído lanhados."

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