Coordenador de Serra diz que FHC errou no caso do ES

O arquivamento do processo de intervenção federal noEspírito Santo repercutiu muito mal para o governo e pode respingar de forma negativa sobre a campanha do candidato do PSDB a presidente, José Serra. ?Espero que a população entenda que o Serra não pode serresponsável pelos atos de todos os que o apóiam?, diz, preocupado, o prefeito de Vitória e coordenador da assessoria técnica da campanha tucana, Luiz Paulo Vellozo Lucas. Ele não sabe quem aconselhou o presidente a tomar esta atitude, mas não tem dúvida: ?foram mausconselheiros?. Assim como a vice de Serra, deputada Rita Camata (PMDB-ES), o prefeito condena o arquivamento, quando o Conselho dos Direitos da Pessoa Humana havia recomendado o envio do processo ao Supremo Tribunal Federal. Certo de que Serra será questionado sobre o assunto, quando visitar seu estado, Vellozo Lulas antecipa a defesa. ?O governo errou com o Espírito Santo e não tenho dúvidas de que a repercussão disso é péssima. Mas acho injusto cobrar do Serra todos os equívocos do governo?. Em campanha em Corumbá (MS), sempre ao lado de Serra, a candidata a vice também criticou o presidente Fernando Henrique Cardoso por ter se manifestado contra a intervenção em seu estado, antes de o Supremo manifestar-se sobre o assunto. Na avaliação de Rita, havia elementos "suficientes" para a intervenção. Serra, entretanto, argumentou nãoconhecer bem o caso que vem acompanhando apenas pelos jornais, embora seja amigo pessoal do ex-ministro da Justiça, Miguel Reale Júnior, queé seu suplente no Senado. ?Assisti à distância?, disse o candidato. Segundo um colaborador do candidato, Serra recebeu informações do Planalto dando conta de que não era pertinente levar o processo ao Supremo, porque ele voltaria sem produzir efeito algum. Mas lamentou a demissão do ministro. ?É uma pena, porque o Miguel Reale estava indo bem e eu acho chato ele ter saído?. O prefeito Vellozo Lucas não só discorda da tese de que o processo seria inócuo como considera sei arquivamento ?uma ducha de água fria? no movimento de renovação dos métodos e dos valores da políticacapixaba. ?Independentemente do resultado, este processo estava desnudando, especialmente do ponto de vista jurídico, não só a impunidade em relação a crimes insolúveis que vêm marcando o Estado nosúltimos anos como a teia de proteção ao ilícito que opera com grande eficácia no Estado. Líder nas pesquisas de intenção de voto para o governo estadual, com o apoio do PMDB de Rita Camata, o senador Paulo Hartung (PSB-ES)considera ?um absurdo? o arquivamento do processo de intervenção. ?Se o governo não tinha coragem de intervir em uma situação crítica como esta do Espírito Santo, não poderia ter dado o primeiro passo?, criticouHartung, para completar: ?O recuo fica como uma autorização para o crime organizado atuar no nosso estado?.

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