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Coordenador da Lava Jato reconhece derrota em fatiamento de inquéritos

Coordenador da Lava Jato reconhece derrota em fatiamento de inquéritos

'É claro que a investigação acaba sofrendo com a sua divisão', afirmou o procurador da República Deltan Dallagnol em Nova York

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2015 | 22h22

Nova York - O procurador do Ministério Público Federal (MPF) no Paraná, Deltan Martinazzo Dallagnol, reconheceu que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de fragmentar as investigações da Operação Lava Jato foi uma derrota, mas afirmou os procuradores vão ser flexíveis, se adaptar e continua lutando. Dallagnol fez a declaração a jornalistas na noite desta quinta-feira em Nova York, primeira vez que falou publicamente sobre a decisão, tomada ontem em Brasília. 

"É claro que a investigação acaba sofrendo com a sua divisão. Não há dúvida de que uma investigação concentrada tem uma sinergia maior, as coisas funcionam de um modo melhor, mas devemos ser flexíveis, nos adaptar e continuar lutando", afirmou Dallagnol, que é o coordenador da força-tarefa da MPF na Operação Lava Jato. "Temos que nos aprender a nos reinventar. Devemos nos adaptar à realidade", completou.

"A decisão do Supremo está colocada, nós respeitamos, embora discordemos", destacou o procurador aos jornalistas. Dallagnol afirmou que ainda que os responsáveis pelas investigações não podem se "enfraquecer ou desanimar". Ele ressaltou que a equipe da procuradoria da República no Paraná tem uma equipe de 50 pessoas na Lava Jato e mais cerca de 40 policiais federais estão trabalhando no caso. "Nós vamos lutar e trabalhar arduamente para que não haja grandes perdas. Pelo contrário, para que consigamos agregar a partir dessa derrota que nós tivemos no Supremo."

A força-tarefa do MPF nas investigações da Operação Lava Jato no Paraná foi uma das indicadas para receber o prêmio anual da Global Investigations Review (GIR), em cerimônia que acontece na noite desta quinta-feira (24) em um hotel em Nova York. Quem também concorreu ao prêmio foram os advogados dos EUA responsáveis pelas investigações do pagamento de propina na Fifa, que prendeu vários cartolas da instituição com sede na Suíça. 

Dallagnol está em Nova York com mais dois procuradores, Carlos Fernando dos Santos Lima e Roberson Henrique Pozzobon. "É uma honra para nós estar ao lado de grandes times de investigações do mundo neste prêmio, como o time que apurou o caso Fifa", disse Dallagnol. "Hoje temos sentimentos contraditórios (no Brasil). Choramos por termos uma corrupção tão intensa e tão espalhada, que desvia recursos valiosos. Por outro lado, ficamos contentes porque uma grande equipe esteve reunida nessa investigação e foi capaz de descobrir esse grande esquema de corrupção." 

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