Coordenador da campanha do PSB diz que momento é de luto

O coordenador da campanha de Eduardo Campos (PSB) à Presidência, Carlos Siqueira, leu nesta quarta-feira, 13, um comunicado da chapa no qual afirma que "o momento é de luto e impõe o necessário recolhimento". O texto não faz nenhuma referência sobre qual será o próximo passo da coligação, que tem dez dias para definir quem será o novo candidato, mas relembra uma frase dita nesta terça-feira, 12, por Campos: "Não vamos desistir do Brasil".

GABRIELA AZEVEDO E TIAGO DÉCIMO, Estadão Conteúdo

13 de agosto de 2014 | 17h44

O comunicado afirma que Campos pautou sua vida pelo anseio de ver a população unida em torno de um projeto que contemple a melhoria de vida de todos os cidadãos. "Interrompeu-se hoje o caminho de um homem que acreditava na renovação da política pela força do povo brasileiro em escrever o seu destino", diz o comunicado, acrescentando que permanecerá seu legado de luta pelos ideais de um Brasil mais democrático, próspero, solidário, sustentável e justo socialmente.

"A Coligação Unidos pelo Brasil acredita que a perda de Eduardo encerrou sua vida, mas não seus ideais. Fica a semente da esperança que move diariamente os brasileiros criativos e empreendedores, capazes de transformar em virtuoso seu duro cotidiano", afirma o grupo.

Pará

A inesperada morte de Campos chocou a liderança do PSB no Pará. O candidato a deputado federal, Ademir Andrade, era também coordenador da campanha de Campos no Estado e o esperava para agenda neste sábado, 16.

Segundo Ademir, que também é Presidente Estadual do PSB-Pará, Campos havia devolvido a esperança a política. "Não tem ninguém para substituir ele. Um cara que não faz política para político, que passa por cima da malandragem da política. Ele criou a esperança na gente, que estava tão desacreditado", comenta.

Ele lembrou ainda que Campos esteve em Belém no último mês de abril. "Ele esteve com a gente em abril para umas reuniões com empresários, fez umas apresentações. E ele viria neste sábado, íamos caminhar pelo Mercado do Ver-o-Peso e depois íamos para Santarém, onde ele falaria de seus projetos em uma universidade", revelou.

O presidente ainda revelou que não se fala em como ficará a candidatura do partido. "Ninguém quer tratar desse assunto, tenho falado com líderes da nacional, o momento é de dor. Mas o que me parece óbvio é que Marina seja a nova candidata", afirma.

Paraíba

Tido como um dos mais próximos aliados do ex-governador pernambucano, o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), referiu-se ao colega de partido como um "político raro" e afirmou que a política brasileira fica "muito mais pobre" com sua morte.

Ainda emocionado com o acidente que causou as mortes de Campos e de cinco outras pessoas, na manhã de hoje, em Santos (SP), Coutinho disse que o ex-governador pernambucano era um dos poucos que conseguia "aliar ideias com práticas" na política. "Às vezes um político tem mais uma coisa que outra, mas o Eduardo tinha coragem pra aliar ideias com práticas, mudança com gestão", afirmou.

Para o governador paraibano, será difícil formar outro gestor com as qualidades de Campos. "É preciso passar por muitos estágios, acumular, em pouco tempo, uma grande experiência na vida e na política", avaliou. "O Brasil e a política brasileira ficam muito mais pobres - e não só por causa desta eleição presidencial. O Brasil tinha em Eduardo uma porta, um caminho para um debate qualificado, uma esperança de futuro."

Coutinho decretou luto oficial de três dias na Paraíba e determinou o fechamento dos comitês eleitorais do PSB em João Pessoa nesta quarta-feira.

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